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Google passará a salvar imagens, áudios e vídeos da Pesquisa para treinar IA

Google reorganiza as configurações de histórico para treinar sua inteligência artificial

O Google está reorganizando a forma como guarda os dados dos usuários — e, com isso, vai passar a salvar bem mais do que texto. A empresa dividiu suas configurações de coleta em duas seções: o “Histórico de Serviços da Pesquisa” e as “Recomendações Personalizadas”. A mudança mais sensível está na primeira: a partir de agora, imagens, áudios e vídeos das suas interações com os serviços da empresa poderão ser armazenados na sua conta e usados para treinar e melhorar os modelos de inteligência artificial do Google.

O alcance é amplo. O salvamento de mídia abrange uma lista longa de produtos do ecossistema: Pesquisa, Google Lens, Tradutor, Maps, YouTube, Gmail, Shopping, Voos, Hotéis e Notícias. Na prática, aquela foto que você joga no Lens para identificar um objeto, o áudio que dita para o tradutor ou o vídeo enviado em uma busca podem deixar de ser descartados após o uso e passar a alimentar o treinamento da IA da companhia. É uma virada importante de postura num momento em que dados reais de usuários valem ouro para empresas que disputam a liderança em inteligência artificial.

A boa notícia é que o controle existe e é razoavelmente granular. Quem não quiser participar pode entrar nas configurações do Histórico de Serviços da Pesquisa e desmarcar a opção de salvar mídia — ou desativar o recurso por inteiro. Também é possível gerenciar cada serviço individualmente e escolher por quanto tempo os dados ficam guardados. O Google afirma que vai manter as preferências anteriores de cada usuário durante a migração, de modo que quem já havia limitado a coleta não deve ser “reinscrito” automaticamente. A implementação será gradual ao longo dos próximos meses, valendo para o Brasil e o resto do mundo, com exceção das contas administradas por instituições de ensino.

Vale o aviso de sempre: desligar tudo tem um custo de conveniência. Segundo a própria empresa, desativar esses históricos pode degradar parte da experiência — incluindo recursos de memória do assistente Gemini, que se apoia nesses dados para personalizar respostas. Cabe a cada usuário decidir onde traçar a linha entre comodidade e privacidade. O recado prático é claro: vale a pena abrir as configurações da conta Google e revisar, item por item, o que você está realmente disposto a compartilhar para alimentar a próxima geração de IA da empresa.

Tela de Histórico de Serviços da Pesquisa do Google



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