O Google anunciou no Android Dev Summit 2026 que vai liberar um kit de desenvolvimento (SDK) do Quick Share para aplicativos de Android e iOS. A previsão da empresa é o primeiro semestre de 2027. Com ele, qualquer app poderá enviar arquivos por conexão direta entre aparelhos sem passar pelo menu de compartilhamento do sistema.
Na prática, muda o caminho até o envio. Hoje, quem quer mandar uma foto ou um PDF pelo Quick Share toca em compartilhar, espera a folha do sistema abrir, escolhe o Quick Share e só então vê a tela cheia do recurso procurando aparelhos próximos. Com o SDK, o desenvolvedor coloca o botão dentro do próprio app. Ao tocar, aparece só uma janela pequena na parte de baixo da tela, com uma prévia do que está sendo enviado.
Tap to Share também entra no pacote
Além da transferência ponto a ponto, o kit inclui o Tap to Share, modo em que o envio começa ao aproximar um celular do outro. O desenvolvedor poderá ativar essa função de forma nativa no app, sem depender da interface padrão do Quick Share.
O detalhe mais interessante é o iOS. O iPhone não tem Quick Share no sistema, e a troca de arquivos entre Android e Apple sempre dependeu de nuvem, mensageiro ou cabo. Em 2025, o Google abriu uma brecha ao fazer o Quick Share conversar com o AirDrop nos Pixel 10. Um SDK que roda dentro de apps de iPhone vai por outro caminho: se o app adotar o kit, o recurso chega ao usuário da Apple sem depender de liberação do sistema.
O que veio antes
O Quick Share atual nasceu da fusão do Nearby Share, do Google, com o Quick Share da Samsung, concluída em 2024. Desde então ele é o padrão de envio entre aparelhos Android e também tem versão para Windows. Até agora, porém, ele só existia como recurso do sistema, acessado pelo menu de compartilhamento.
Por que importa por aqui
No Brasil, boa parte da troca de arquivos entre pessoas próximas ainda passa pelo WhatsApp, que comprime fotos e vídeos e gasta dados móveis. Um envio direto embutido em apps de galeria, edição de vídeo ou documentos resolve as duas coisas sem sair do aplicativo. Minha aposta é que o ganho real vai depender de quantos apps grandes adotarem o kit; se ficar restrito a apps do próprio Google, a diferença será pequena.
O Google ainda não divulgou data exata, lista de apps parceiros nem as versões mínimas de Android e iOS exigidas. Por enquanto, a única confirmação é a janela do primeiro semestre de 2027 para a chegada do SDK aos desenvolvedores.
