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Google processa rede chinesa que usou o Gemini para montar megaesquema de fraude

Google processa rede criminosa que usou o Gemini em esquema de fraude

O Google decidiu levar para os tribunais um problema que a própria popularização da inteligência artificial ajudou a criar. A empresa abriu um processo contra a Outsider Enterprise, uma organização de crimes cibernéticos baseada na China, acusada de usar o Gemini para industrializar golpes online. A peça judicial pede uma ordem de restrição para encerrar as operações do grupo, num movimento que mira não só os criminosos, mas o uso indevido das próprias ferramentas de IA da companhia.

A acusação é grave e vem acompanhada de números que dão a dimensão do esquema. Segundo o Google, o grupo teria usado o Gemini para gerar conteúdo e montar cerca de 9 mil sites fraudulentos, que imitavam o visual do próprio Google, do YouTube e de órgãos públicos americanos, como o serviço postal (USPS) e o sistema de pedágios E-ZPass de Nova York. Ao todo, a empresa fala em 1 milhão de URLs falsas geradas e em milhões de mensagens com links maliciosos disparadas em apenas duas semanas — boa parte sinalizada automaticamente em aparelhos Android.

O caso expõe o lado sombrio da IA generativa: a mesma tecnologia que acelera tarefas legítimas também permite que golpistas produzam páginas e mensagens convincentes em escala industrial, algo que antes exigia tempo e equipe. Para conter o estrago, o Google afirma ter atuado em colaboração com o FBI e com operadoras como AT&T, T-Mobile e Verizon, num esforço coordenado para derrubar a infraestrutura usada nos golpes e cortar o alcance das mensagens fraudulentas.

Para o leitor brasileiro, o episódio funciona como alerta direto. Golpes de phishing que se passam por bancos, transportadoras, órgãos do governo e serviços conhecidos já são parte do cotidiano por aqui — e a IA tende a deixá-los ainda mais difíceis de identificar a olho nu. A lição segue a mesma de sempre, agora com urgência redobrada: desconfiar de links recebidos por SMS e mensageiros, conferir o endereço real antes de digitar qualquer dado e nunca informar senhas ou códigos a partir de um link que chegou sem você pedir.



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