O Google anunciou novas exigências técnicas para os aplicativos publicados na Play Store, e desta vez o alvo é um incômodo que todo mundo com um celular intermediário conhece: app que come memória a ponto de derrubar tudo o que está aberto em segundo plano. As regras entram em vigor de forma escalonada em 2027.
A partir de fevereiro de 2027, o Google passa a medir três frentes. A primeira é o uso dinâmico de memória, que contabiliza os dados privados do aplicativo, incluindo o que está ativo e o que foi comprimido pelo sistema. A segunda mira os bitmaps, ou seja, as imagens carregadas na memória: elas podem ocupar espaço enquanto o app está na tela, mas não deveriam continuar ali quando ele vai para segundo plano ou fica em cache. A terceira cobra otimização do código, com uma cobertura mínima de 25% em redução e ofuscação do DEX.

A punição não é banimento, e essa nuance importa. Aplicativos fora dos limites vão sofrer redução de visibilidade na loja e restrições na capacidade de publicar novas versões. Na prática, é um golpe onde dói: menos destaque nas listas e na busca significa menos instalações, o que costuma ser argumento mais persuasivo que qualquer aviso técnico no console do desenvolvedor.
A segunda parte do pacote começa em abril de 2027 e trata da troca de aparelho. Os apps terão de adotar o Zero-Tap Sign-In, construído sobre a API Restore Credentials do Android, para restaurar automaticamente a sessão do usuário quando ele migra para um celular novo. Jogos ficam fora dessa exigência por enquanto. Quem já passou uma tarde inteira refazendo login em vinte aplicativos depois de trocar de telefone sabe o tamanho do problema que isso tenta resolver.

Para o usuário brasileiro, o efeito prático tende a aparecer justamente na faixa de preço que mais vende por aqui. O aparelho de entrada com 4 GB ou 6 GB de RAM é o que mais sofre quando dois ou três aplicativos populares se recusam a liberar memória, e é nele que a diferença vai ser sentida — se as regras funcionarem como o Google promete. Até lá, ainda vale o conselho antigo: ao trocar de celular, olhar a quantidade de RAM com o mesmo cuidado que se olha a câmera. Modelos como o Galaxy A56 5G e a linha Redmi Note são hoje o piso confortável para quem não quer ver o app fechando sozinho.
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