O Google resolveu antecipar a parte desagradável do próprio lançamento. Antes mesmo de subir ao palco para apresentar a linha Pixel 11, a empresa confirmou que os novos aparelhos vão custar mais do que os da geração anterior. A justificativa é a mesma que vem sacudindo o setor inteiro de eletrônicos: a escassez e o encarecimento dos chips de memória.
A confirmação partiu de Shakil Barkat, vice-presidente de Dispositivos e Serviços do Google, em declaração ao site 9to5Google. O executivo afirmou que a companhia enfrenta um aumento de custos sem precedentes e que segurou o repasse ao consumidor “pelo maior tempo possível” — uma forma elegante de dizer que o limite foi atingido.
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O número que explica tudo
O dado mais impressionante da fala de Barkat é o preço da memória RAM. Segundo ele, 1 GB custava cerca de US$ 2,80 em 2025 e chegou a US$ 12 em 2026 — um avanço de aproximadamente seis vezes em pouco mais de um ano. Como um celular topo de linha carrega hoje entre 12 GB e 16 GB de RAM, além de armazenamento interno que também usa memória, o efeito na lista de materiais é imediato.
O executivo não detalhou de quanto será o reajuste. Rumores do setor falam em algo em torno de US$ 100 por aparelho, mas esse número não foi confirmado pelo Google. Barkat afirmou apenas que os ajustes serão aplicados de forma dinâmica, acompanhando a realidade da oferta de componentes. Na prática, isso abre espaço para que modelos já em linha, como o Pixel 10a, também fiquem mais caros ao longo dos próximos meses.
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Não é um problema só do Google
A declaração se encaixa em um movimento que já era visível. A corrida por data centers de inteligência artificial redirecionou boa parte da produção mundial de DRAM e NAND para clientes corporativos, que compram em volume e pagam mais. Sobrou menos memória para o mercado de consumo — e o que sobrou ficou caro.
Nas últimas semanas, fabricantes de celular, de monitores e até de aparelhos de streaming vieram a público falar em revisão de tabelas. A Samsung admitiu que vai repassar ao preço de lançamento a parcela do aumento que não conseguir absorver, e a Qualcomm sinalizou reajuste nos chips Snapdragon. O Google, que não fabrica memória, tem ainda menos margem de manobra do que concorrentes verticalizados.
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Vale um lembrete importante: o Google não vende o Pixel oficialmente no Brasil. Quem quer um aparelho da linha depende de importação, e aí o reajuste anunciado lá fora chega somado a câmbio, frete e tributos — normalmente amplificado. Se a alta ficar na casa dos US$ 100 sugeridos pelos rumores, o impacto local tende a ser bem maior que isso em reais.
Para quem está de olho em um topo de linha por aqui, o cenário reforça uma estratégia conhecida: modelos da safra anterior, que já passaram pela primeira desvalorização, seguem sendo a compra mais racional — ainda mais agora que as tabelas dos aparelhos novos estão subindo em todo o setor. Concorrentes com hardware equivalente, como o Galaxy S25 Ultra e o POCO F8 Ultra, chegam com garantia nacional e sem a dor de cabeça da importação.
A confirmação oficial dos preços deve vir no evento Made by Google, marcado para 12 de agosto, às 19h de Brasília, em Nova York — data considerada antecipada em relação às gerações anteriores. É lá que se saberá o tamanho real da conta.