O Google abriu nesta terça-feira (27) a prévia de pesquisa do Genie 4, modelo de mundo que transforma um prompt de texto em um ambiente interativo. A pessoa descreve o cenário e o personagem, e o sistema monta uma simulação que dá para percorrer com as setas do teclado, controlando o boneco e a câmera como em um jogo simples. Por enquanto, só parceiros próximos da empresa têm acesso, pelo Google AI Studio e pela API do Gemini.
O que mudou em relação ao Genie 3
O antecessor saiu há pouco mais de um ano e mantinha a imagem coerente por cerca de um minuto. O Genie 4 dobra esse limite para dois minutos de simulação estável. O próprio Google admite que, em experiências mais longas e complexas, ainda aparecem erros de continuidade, como objetos que mudam de lugar ou somem entre um quadro e outro.

A diferença mais visível está na edição ao vivo. Com a cena rodando, dá para pedir em linguagem natural que o clima mude, que entre uma pessoa ou um objeto, ou que a câmera troque de ângulo, sem cortar nem reiniciar a simulação. Pela primeira vez na plataforma, o modelo também gera som junto com a imagem: ruídos da natureza, barulho de objetos, música e diálogos. A física melhorou em colisões, quedas e no movimento de itens pelo ar.
Os exemplos divulgados pela empresa mostram uma ave caminhando na neve, um passeio por dentro de uma pintura de Van Gogh, um casal fugindo de um apocalipse urbano de moto e um ataque medieval a um castelo com personagens montados em dragões. A investidora Justine Moore, que testou o modelo antes do anúncio, publicou no X um mundo gerado a partir de um único prompt e chamou a atualização de um grande salto, citando a possibilidade de alterar o cenário por comando e o áudio nativo.
Três modelos Gemini por trás
O Genie 4 trabalha em conjunto com outras IAs do Google. O Gemini Omni cuida da aparência e do comportamento realista dos elementos. O Gemini 3.8 Flash faz o papel de diretor: observa o cenário, planeja as etapas e confere os quadros gerados. Para robótica entra o Gemini 4 Argon, o modelo mais potente da empresa. Em um teste com o Gemini Robotics, o Argon quebrou tarefas em passos simples dentro da simulação, para validar comportamentos de um robô antes de levá-los ao mundo real.
Para quem isso serve agora
O Google ampliou o discurso para além dos games. A empresa sugere usar o Genie 4 para prototipar produtos, jogos e peças audiovisuais, para diretores testarem enquadramentos antes de filmar e como ambiente de treino para robôs. Na nossa leitura, o uso mais imediato é o de rascunho: um estúdio independente pode testar a ideia de uma fase jogável em minutos, antes de abrir uma engine. Dois minutos de coerência ainda ficam longe de substituir um jogo de verdade.
Além dos parceiros da prévia, o Google promete liberar o Genie 4 para assinantes do plano Google AI Ultra, sem data definida. A empresa não informou se o acesso pela API terá cobrança separada nem quando a ferramenta sai da fase de pesquisa.
