
O Google deu mais um passo na corrida dos agentes de inteligência artificial ao apresentar, no Google I/O 2026, o Gemini Spark — um agente que vai além de responder perguntas e passa a executar tarefas em nome do usuário. Movido pelo modelo Gemini 3.5, o Spark foi posicionado como a aposta mais ambiciosa da empresa em IA “agêntica”: sistemas capazes de planejar e completar ações de várias etapas sozinhos, em vez de devolver apenas um texto. O Google chega a descrever o recurso como um assistente que pode operar de forma contínua, mesmo com o computador fechado.
A ideia por trás de agentes como o Spark é mudar a forma como interagimos com a IA. Em vez de pedir uma resposta e depois agir manualmente sobre ela, o usuário descreve um objetivo e deixa o sistema encadear as etapas necessárias para chegar lá. É a mesma direção que rivais como OpenAI e Anthropic vêm perseguindo, num momento em que o setor aposta que o próximo salto não está em modelos que falam melhor, mas em modelos que fazem coisas.
Por ora, o Spark é exclusivo dos assinantes do plano AI Ultra, o nível premium do Google voltado a IA. A estratégia de estrear recursos pesados primeiro na camada mais cara não é novidade: serve tanto para justificar o valor da assinatura quanto para controlar a carga nos servidores enquanto a tecnologia ainda amadurece. O recurso começa a ser liberado nos Estados Unidos, e não há, até agora, previsão de quando pode descer para os planos gratuitos — nem detalhes sobre preços em reais.
Para o público brasileiro, a chegada de agentes de IA cada vez mais capazes traz oportunidades e ressalvas. De um lado, a promessa de automatizar tarefas repetitivas no trabalho e no dia a dia; de outro, as dúvidas conhecidas sobre privacidade, custo em reais das assinaturas e até que ponto vale delegar decisões a um sistema autônomo. Como toda novidade do tipo, o Spark deve ser encarado com curiosidade — e com um olho atento ao que exatamente ele faz com seus dados.