🔥 Entre no nosso grupo e receba as melhores ofertas de tech Entrar agora →
MelhoresTech
Voltar
inteligencia-artificial

IA do Google Earth é retirada após gerar imagens falsas de tragédias

A integração entre o Google Earth e o modelo de IA Nano Banana 2 durou menos de 24 horas. Anunciada na quinta-feira passada, a funcionalidade permitia gerar imagens sintéticas de satélite a partir de coordenadas reais — e foi desativada pelo Google na sequência de uma demonstração que expôs os riscos do recurso de forma inequívoca.

O pesquisador de código aberto Henk Van Ess utilizou a ferramenta para criar três imagens que simulavam cenas de tragédias: um hospital destruído por bombardeios na Faixa de Gaza, um grupo de refugiados na fronteira entre Estados Unidos e México, e o local de um acidente fatal de carro em Amsterdam. Nenhuma das cenas existia de fato — todas foram geradas pela IA a partir de pedidos em linguagem natural.

Proteções insuficientes

A situação levantou um problema técnico sério: as marcas d’água usadas para identificar conteúdo gerado por IA se mostraram ineficazes na prática. Tanto o selo visual do Gemini quanto o identificador embutido SynthID, desenvolvido pelo Google DeepMind, podem ser apagados com ferramentas de edição de imagens amplamente disponíveis. Mesmo o método mais rudimentar — fotografar a tela com outro celular — é suficiente para eliminar o rastro digital.

Ao ser questionado, o Google argumentou inicialmente que as imagens eram marcadas como geradas por IA e não apareceriam publicamente na versão padrão do Google Earth. Ainda assim, a empresa reverteu a decisão e removeu a integração enquanto avalia os próximos passos.

Um problema recorrente

O incidente do Google Earth não é isolado. Modelos de IA generativa já foram utilizados repetidamente para criar desinformação visual — desde rostos falsos até documentos forjados. O que torna o caso específico mais preocupante é o contexto: o Google Earth é percebido pelo público como uma fonte de imagens de satélite reais, o que confere às imagens geradas um nível de credibilidade difícil de combater sem inspeção técnica.

A retirada rápida do recurso mostra que, mesmo quando a intenção de proteger é genuína, os mecanismos técnicos disponíveis atualmente não são suficientes para impedir usos nocivos de IA generativa em plataformas com credibilidade institucional.



Gostou deste artigo?

-- -- votos

Você pode gostar também