🔥 Entre no nosso grupo e receba as melhores ofertas de tech Entrar agora →
Melhores Tech
Voltar
Inteligência Artificial

Google DeepMind: pesquisadores de Londres cobram mudança em contrato que limita críticas à IA

Web Story
Google DeepMind: pesquisadores de Londres cobram mudança em contrato que limita críticas à IA

Dezenas de pesquisadores do Google DeepMind, o laboratório de inteligência artificial do Google sediado em Londres, querem que a empresa reescreva os contratos que assinaram ao ser contratados. O alvo é uma cláusula de não difamação que continua valendo depois que a pessoa sai da companhia. Na prática, ela impede ex-funcionários de criticar publicamente o Google, inclusive sobre os riscos da IA que ajudaram a construir. O caso veio a público nesta semana pelo jornal americano The Washington Post, que ouviu funcionários sob anonimato.

Como a briga começou

O estopim foi Sofia Liguori. Ex-integrante do DeepMind, ela deu uma entrevista criticando o trabalho da big tech com IA para uso militar, sem respeitar a restrição do contrato. Depois disso, colegas que ainda estão na empresa foram reler os próprios documentos e muitos encontraram a mesma regra.

A discussão migrou para um fórum interno do Google, onde dezenas de pessoas da unidade britânica reclamaram das exigências. Alguns usaram emojis que remetem a 1984, romance de George Orwell sobre um governo que vigia todos os cidadãos. O recado ficou claro.

O Reino Unido tem lei de proteção a denunciantes, válida quando a informação revelada é de interesse público. Mesmo assim, os pesquisadores dizem ter medo de ser processados e afirmam que vão esperar o Google explicar o alcance do acordo antes de falar abertamente. Um deles disse ao jornal que a tecnologia muda rápido demais e que, muitas vezes, só quem está dentro consegue mostrar os danos reais e potenciais.

O que o Google diz

Um porta-voz da empresa afirmou que o Google sempre estimulou debate franco sobre segurança e responsabilidade em IA. Ele confirmou que a cláusula deixou de valer após o desligamento nos contratos novos. O problema é o passado: quem foi contratado antes da mudança segue preso ao texto antigo, e é exatamente essa turma que pede que a revisão seja estendida a todos.

O episódio chama atenção porque o Google quase não aparece entre as empresas cujos funcionários pediram publicamente para frear o ritmo da IA. Esse movimento partiu sobretudo de executivos e pesquisadores da OpenAI e da Anthropic. Se os pesquisadores do DeepMind conseguirem liberdade para falar, o debate ganha vozes de um dos três maiores laboratórios do setor.

Por que importa por aqui

O Gemini, modelo desenvolvido pelo DeepMind, já está no Android, no Gmail, no Google Sheets e na busca usada por milhões de brasileiros. Quem constrói esse sistema hoje precisa de autorização tácita do empregador para apontar falhas em público. Uma regra de silêncio desse tipo deveria preocupar qualquer usuário, e não só quem acompanha política de tecnologia.

Até a publicação desta notícia, o Google não informou se vai mudar os contratos antigos nem deu prazo para responder aos funcionários.



Gostou deste artigo?

★ ★ ★ ★ ★
-- • -- votos

Você pode gostar também