A aposta pesada das gigantes de tecnologia em inteligência artificial começou a aparecer com força nos balanços — e o da Alphabet, dona do Google, foi um dos mais expressivos. No último trimestre, a divisão Google Cloud faturou US$ 24,8 bilhões, uma alta de 82% na comparação anual, superando as projeções do mercado. O crescimento veio puxado justamente pela demanda por infraestrutura e serviços de IA, o segmento que mais consome poder de processamento hoje.
Os números gerais reforçam o momento. A Alphabet reportou receita total de cerca de US$ 119,8 bilhões, com o braço de serviços do Google — que inclui Busca, YouTube e Android — respondendo por boa parte do bolo. A carteira de contratos de nuvem ainda não convertidos em receita chegou à casa dos US$ 514 bilhões, um indicativo de que a fila de clientes corporativos apostando na infraestrutura do Google segue longa. No campo dos produtos de consumo, a empresa afirmou que o assistente Gemini já soma cerca de 950 milhões de usuários ativos por mês.
Mas manter esse ritmo custa caro. A Alphabet reafirmou a intenção de investir entre US$ 180 bilhões e US$ 190 bilhões em 2026, valor que vai para a construção de data centers, compra de chips e toda a engrenagem física necessária para treinar e rodar modelos de IA em escala. O CEO Sundar Pichai admitiu que o retorno financeiro desse gasto colossal deve se materializar mais claramente a partir de 2027 — um recado direto a investidores que começam a questionar quando a onda de IA vai realmente virar lucro sustentável.
Para o leitor brasileiro, esse tipo de resultado ajuda a entender por que praticamente todo serviço digital que usamos está ganhando camadas de IA de uma hora para outra. Quando uma empresa do tamanho do Google decide despejar quase US$ 200 bilhões em um único ano nessa infraestrutura, a tendência é que recursos assistidos por IA — de buscas mais conversacionais a ferramentas dentro do Gmail, do Android e do próprio Google Fotos — cheguem cada vez mais rápido ao celular na sua mão. O outro lado da moeda é o impacto ambiental e energético desse crescimento, tema que ganha peso à medida que os data centers se multiplicam.