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Google discute limitar o ADB dentro do Android e ameaça apps como Shizuku e Termux

Terminal com comandos ADB rodando em um Android

Uma discussão aberta no rastreador público de problemas do Google acendeu o alerta entre usuários avançados do Android. Um funcionário da empresa, identificado como mantenedor do núcleo do ADB (Android Debug Bridge), propôs que o daemon do serviço passe a aceitar conexões apenas por interfaces externas — o Wi-Fi, basicamente — e deixe de responder ao endereço local, o velho 127.0.0.1. Parece um detalhe técnico obscuro, mas a consequência é grande: seria o fim do ADB on-device, o truque que permite a um aplicativo executar comandos privilegiados dentro do próprio celular, sem PC e sem root.

Proposta de mudança no ADB publicada no rastreador de problemas do Google

A motivação declarada é segurança, e ela não é inventada. Em maio deste ano, o Android corrigiu a falha CVE-2026-0073, que permitia burlar a autenticação do ADB sem fio a partir de qualquer máquina na mesma rede — um cenário desconfortável em Wi-Fi público. Fechar a porta local reduziria a superfície de ataque e dificultaria escaladas de privilégio feitas por apps maliciosos que hoje conseguem se aproveitar desse canal.

O problema é o efeito colateral. Todo um ecossistema de ferramentas nasceu justamente dessa brecha legítima: o Shizuku, que empresta permissões elevadas a outros apps; o Termux, emulador de terminal usado por desenvolvedores e curiosos; além de LADB, App Manager e Canta, este último popular para desinstalar aplicativos de fábrica que o fabricante não deixa remover. Nenhum deles exige root, e é exatamente por isso que se tornaram a saída padrão de quem quer mais controle sem destravar o bootloader e perder garantia, atualizações ou o funcionamento de apps bancários.

Aplicativo de personalização que depende do Shizuku para funcionar

Vale insistir num ponto: nada foi decidido. É uma discussão inicial, pública, e vários participantes já sugeriram um caminho do meio — manter a conexão local desligada por padrão e oferecer um interruptor explícito nas Opções do desenvolvedor, do mesmo jeito que a depuração USB funciona hoje. É a solução que preserva a segurança do usuário médio sem inutilizar as ferramentas de quem sabe o que está fazendo.

Para o público brasileiro, o assunto tem peso maior do que parece. Boa parte dos celulares vendidos por aqui chega com uma camada generosa de aplicativos pré-instalados, e o Canta somado ao Shizuku virou receita conhecida para limpar o aparelho sem procedimentos arriscados. Se o Google fechar essa porta sem oferecer alternativa, o efeito prático será menos controle sobre um aparelho que já é do usuário — mais um capítulo da tensão permanente entre travar o sistema para proteger a maioria e manter espaço para quem quer ir além do padrão.

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