
O Google mirou diretamente o estudante brasileiro em seu evento anual no país. Durante o Google for Brasil, a empresa anunciou que o Gemini ganhará simulados gratuitos do Enem a partir de julho de 2026, em uma parceria com a plataforma educacional Akira Enem. A proposta é transformar o assistente de IA em uma ferramenta de estudo para o maior vestibular do país, num momento em que provas e correções automatizadas por inteligência artificial deixam de ser novidade e começam a virar rotina na preparação de milhões de candidatos.
Na prática, o recurso vai funcionar dentro do próprio app do Gemini. O estudante poderá resolver questões de múltipla escolha — tanto simulados completos quanto blocos focados em áreas específicas do conhecimento — e, ao final, receber um retorno detalhado. Segundo o Google, “o Gemini fornecerá feedback sobre a performance do vestibulando com nota e um diagnóstico completo sobre o desempenho”, o que ajuda a transformar o treino em um plano de estudos mais direcionado, em vez de apenas apontar acertos e erros.
O anúncio dos simulados veio acompanhado de uma aposta mais ampla em letramento digital. A empresa informou ter investido R$ 5 milhões no programa Experience AI, voltado a capacitar cerca de 16 mil professores da rede pública brasileira no uso de inteligência artificial. Para Lila Ibrahim, Chief AI Readiness Officer do Google, a ideia é dar aos educadores “o treinamento, as ferramentas e a confiança necessários para ensinar conceitos de IA de maneira segura e eficaz”, garantindo que jovens tenham acesso ao “letramento fundamental sobre IA”.
Para o público brasileiro, a iniciativa tem peso simbólico e prático. De um lado, oferece a estudantes — inclusive os que não podem pagar cursinhos caros — uma ferramenta gratuita de treino com correção instantânea. De outro, levanta as discussões de sempre quando a IA entra na educação: a importância de validar as questões e os feedbacks, o cuidado com possíveis erros do modelo e a necessidade de o aluno usar a tecnologia como apoio, e não como muleta. Resta acompanhar, a partir de julho, se a execução vai estar à altura da promessa.