A corrida por robôs humanoides ganhou um capítulo com peso de indústria: a AMD anunciou em 23 de julho uma parceria com a Foundation Future Industries para fornecer os chips que vão comandar a segunda geração do robô Phantom, o MK-2. Não é um acordo de marketing — o componente escolhido, a linha Ryzen AI Embedded X100, é justamente a aposta da fabricante de semicondutores para processamento de IA fora do data center, em máquinas que precisam decidir sozinhas e em tempo real.
O detalhe técnico que a startup faz questão de destacar é a troca de fornecedor. Segundo a empresa, a plataforma da AMD entrega inferência cerca de 2,5 vezes mais rápida do que a solução da Nvidia usada anteriormente — afirmação que parte da própria interessada e ainda não passou por verificação independente, mas que diz muito sobre onde a disputa entre as duas fabricantes está se deslocando. O MK-2 traz 23 graus de liberdade, número que define quantas articulações independentes o robô consegue movimentar.

Os números de negócio são igualmente ambiciosos. A companhia projeta produzir 5 mil robôs em 2026 e escalar para 50 mil por ano depois que uma nova fábrica, prevista para outubro de 2026, entrar em operação — com mais uma unidade no início de 2027. A versão industrial seria oferecida por volta de US$ 100 mil anuais em regime de aluguel, e a militar por cerca de US$ 300 mil a unidade. Metas de produção anunciadas por startups de robótica costumam ser otimistas, e convém tratá-las como intenção, não como cronograma firmado.
Há também o componente político que acompanha a empresa desde o começo: Eric Trump, filho do presidente Donald Trump, atua como principal consultor de estratégia da organização desde janeiro de 2026, arranjo que motiva questionamentos sobre conflito de interesses, já que a companhia mantém contratos com o setor de defesa americano. A geração anterior do robô, o Phantom MK1, já havia sido apresentada como candidata a substituir soldados em missões de risco — assunto que detalhamos nesta reportagem.
Para o leitor brasileiro, o recado mais concreto está na parte de silício. O mesmo tipo de arquitetura que a AMD vende para robôs autônomos é a base dos chips Ryzen AI que já chegam aqui em notebooks e desktops, com unidades de processamento neural dedicadas. A diferença de escala é enorme, mas a direção é a mesma: processar inteligência artificial localmente, no aparelho, em vez de depender de conexão com a nuvem — algo que pesa em latência, custo e privacidade.
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