A Base de Alcântara, no Maranhão, foi palco na terça-feira (19) de mais um episódio da história da exploração espacial brasileira — desta vez envolvendo uma empresa estrangeira. O foguete SEBIT, desenvolvido pela sul-coreana INNOSPACE, decolou normalmente do Centro de Lançamento de Alcântara (CLA), mas logo apresentou um desvio em relação à trajetória planejada. Seguindo protocolos da Força Aérea Brasileira (FAB), o voo foi interrompido antecipadamente e o veículo caiu no mar. Não houve feridos nem danos materiais.
O SEBIT é um foguete suborbital de estágio único com motor híbrido de classe 3 toneladas de empuxo, projetado para alcançar altitudes de até 100 km — o limite convencional do espaço, conhecido como Linha de Kármán. O voo desta semana era o primeiro teste de voo do veículo. Em lançamentos iniciais, anomalias de trajetória são relativamente comuns e esperadas; o objetivo é coletar dados reais de desempenho que não são possíveis de obter em simulações.
A INNOSPACE informou que conseguiu coletar dados dos sistemas de lançamento e propulsão, além de informações sobre navegação, guiagem, controle e rastreamento durante o voo. Esse material é o principal produto de um voo de teste — mesmo quando o foguete não completa a missão planejada, as telemetrias registradas alimentam as iterações seguintes do projeto.
A escolha da Base de Alcântara não é por acaso: sua localização no Maranhão, a aproximadamente 2,3 graus abaixo da linha do Equador, oferece vantagem orbital significativa em comparação com bases em latitudes mais altas, reduzindo o consumo de combustível em lançamentos para órbitas equatoriais. Para a INNOSPACE, o episódio fecha um capítulo e abre o próximo: a análise dos dados coletados deve guiar as correções antes de um novo voo de teste.
