Pesquisadores da empresa de cibersegurança Socket identificaram uma rede coordenada de 77 extensões maliciosas hospedadas no repositório oficial do Firefox. Entre elas, 40 continham ferramentas diretamente destinadas ao roubo de dados e 37 funcionavam como iscas, se passando por utilidades legítimas para atrair usuários desavisados. A campanha estava ativa desde março de 2026, quando os criminosos começaram a publicar versões falsas de carteiras digitais conhecidas dentro da loja de extensões da Mozilla.
As extensões maliciosas imitavam nomes de carteiras populares como OKX, Rabby Wallet e TronLink — plataformas usadas diariamente por milhares de usuários para gerenciar ativos em blockchains como Ethereum e Tron. Uma vez instaladas, não exibiam nenhum comportamento suspeito imediato. Por baixo dos panos, contudo, ativavam rotinas de captura que monitoravam a área de transferência em busca de senhas copiadas, interceptavam informações antes que fossem criptografadas localmente e acionavam telas falsas de login sob controle remoto. O ponto mais crítico era a captura das frases de recuperação — sequências de 12 a 24 palavras que funcionam como a chave-mestra de uma carteira cripto. Com essa informação em mãos, um invasor pode transferir todos os fundos sem precisar da senha.
Um detalhe alarmante revelado pelo pesquisador Kirill Boychenko, da Socket, é o uso de substituição visual para enganar usuários: os criminosos substituíam o zero “0” pela letra “O” nos nomes das extensões, tornando versões falsas praticamente indistinguíveis das originais à primeira vista. A Mozilla removeu as extensões ativas do repositório oficial após a divulgação, mas usuários que as instalaram entre março e agosto de 2026 podem ter tido suas credenciais comprometidas sem perceber. Desinstalar a extensão não é suficiente — se os dados já foram capturados, a recomendação é transferir os fundos imediatamente para uma carteira criada em ambiente totalmente limpo.
Para quem guarda criptomoedas e quer uma camada extra de proteção, a alternativa mais robusta é uma hardware wallet — dispositivo físico que armazena as chaves privadas offline, tornando impossível o roubo remoto via extensão maliciosa. Carteiras físicas como a Ledger Nano S Plus e a Trezor Seguro 3 isolam as chaves do computador mesmo quando o PC está comprometido, porque as transações são assinadas dentro do dispositivo e a chave privada nunca sai dele. Para quem quer proteger também contas de exchanges e e-mails vinculados ao ecossistema cripto, uma chave de segurança física como a YubiKey adiciona uma camada de autenticação que nenhuma extensão maliciosa consegue interceptar.
Proteção recomendada:
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