A Mozilla liberou na terça-feira (27) o Firefox 159 para Windows, macOS, Linux e Android. A versão saiu junto com a Smart Window e fecha 167 vulnerabilidades. Dezenas dessas falhas foram encontradas por ferramentas de inteligência artificial da OpenAI.
Das 167 brechas, 108 receberam classificação de alta gravidade. Nenhuma foi marcada como crítica, e a Mozilla não registrou exploração ativa de nenhuma delas. Até onde se sabe, ninguém estava usando essas falhas para atacar usuários antes do patch.
Por que o número é tão alto
O total impressiona, mas tem explicação burocrática. A Mozilla mudou a forma de contabilizar bugs de segurança de memória encontrados internamente. Antes, vários desses problemas eram agrupados em um único registro. Agora cada caso ganha entrada própria. Na prática, o Firefox 159 não ficou com um código três vezes mais furado que o anterior: a contagem passou a ser feita de outro jeito, e comparar esse número com versões antigas não faz sentido.
Entre as correções listadas estão a CVE-2026-117861, que permitia escapar da sandbox do navegador, e a CVE-2026-117860, que contornava a política de mesma origem, a regra que impede um site de ler dados de outro aberto no mesmo navegador. Há ainda falhas de escalonamento de privilégio e uma série de problemas de segurança de memória que afetavam as barreiras internas do Firefox. Uma fuga de sandbox é o tipo de falha que, combinada com outro bug, abre caminho para um código malicioso sair do navegador e mexer no sistema.
IA caçando bugs
O dado mais curioso do pacote é a participação da OpenAI. Ferramentas de IA da empresa encontraram dezenas das vulnerabilidades corrigidas, o que mostra modelos de linguagem sendo usados na auditoria de um código grande e antigo como o do Firefox. A Mozilla não detalhou publicamente quantas das 167 falhas vieram dessa colaboração.
O movimento tende a aumentar a quantidade de correções por versão em todos os navegadores. Se a IA acha bugs mais rápido do que equipes humanas, os boletins de segurança ficam maiores, e atualizar o navegador passa a ser ainda menos opcional.
Versões ESR também atualizadas
Além da versão principal, a Mozilla publicou boletins para as edições de suporte estendido ESR 153.6 e ESR 115.44. A linha ESR é a usada por empresas, órgãos públicos e algumas distribuições Linux que preferem mudanças menos frequentes. A 115 é a que ainda atende computadores com sistemas mais antigos.
No desktop, a atualização chega automaticamente, e dá para forçar a verificação no menu Ajuda, em Sobre o Firefox. No Android, o Firefox 159 é distribuído pela Google Play. Vale atualizar agora: são 108 falhas de alta gravidade corrigidas de uma vez.
