O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) admitiu na quinta-feira (5) que um invasor teve acesso a dados de investidores guardados nos sistemas internos usados para processar o pagamento de garantias. A entidade comunicou o caso à Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) e diz ter bloqueado os acessos indevidos para reduzir o risco de fraude.
A suspeita surgiu em 26 de outubro, quase dez dias antes do comunicado público. O FGC não informou quantas pessoas foram afetadas nem quais instituições liquidadas estão ligadas aos registros expostos.
O que foi exposto
O pacote inclui dados cadastrais básicos: nome completo, CPF, e-mail e data de nascimento. Também ficaram visíveis informações financeiras específicas do processo de ressarcimento, como os tributos retidos no pagamento da garantia e a identificação do canal de distribuição, ou seja, por qual banco ou corretora o investidor tinha comprado o título da instituição que quebrou.
Não há, até aqui, menção a senhas, números de conta ou saldos. Mesmo assim, o conjunto é valioso para golpistas. Quem tem o nome, o CPF, a data de nascimento e ainda sabe que a vítima recebeu dinheiro do FGC por meio de determinada corretora consegue montar uma abordagem muito convincente.
Por que o caso pesa mais que um vazamento comum
O FGC é a entidade privada, mantida pelos próprios bancos, que devolve ao investidor até R$ 250 mil por CPF e por instituição quando um banco é liquidado, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos. Isso cobre CDB, LCI, LCA, poupança e outros produtos bancários. Os titulares desses dados são, por definição, pessoas que tinham dinheiro aplicado e passaram por um processo de ressarcimento.
O fundo viveu o maior pagamento da sua história com a liquidação do Banco Master pelo Banco Central, em novembro de 2025, que envolveu centenas de milhares de credores. O comunicado não diz se os registros acessados têm relação com esse caso, mas dá a dimensão de quantos brasileiros passaram recentemente pelos sistemas de garantia.
O golpe mais provável agora é o contato falso oferecendo liberar um valor residual, corrigir imposto retido ou atualizar cadastro no aplicativo do FGC. A informação sobre tributos retidos que vazou é justamente o tipo de detalhe que dá credibilidade a esse roteiro. A regra prática: o pedido de garantia é feito pelo aplicativo oficial do FGC, e ninguém precisa pagar taxa para receber o dinheiro. Ligação, SMS ou mensagem de WhatsApp com link para resolver pendência deve ser ignorada.
Próximos passos
Com a notificação à ANPD, a agência pode abrir processo de fiscalização e cobrar do FGC explicações sobre a falha e sobre o tempo entre a detecção e o aviso público. Pela LGPD, o controlador também precisa comunicar os titulares afetados quando o incidente traz risco relevante. Até a publicação desta reportagem, o FGC não havia divulgado o número de investidores atingidos nem um canal específico de consulta.
