O Facebook está prestes a passar por uma das maiores mudanças visuais de sua história. A Meta anunciou que vai testar uma “experiência reimaginada” na qual vídeos em tela cheia se tornam o conteúdo principal assim que o usuário abre o aplicativo — uma abordagem que remete diretamente ao TikTok e, em menor grau, aos Reels do próprio Instagram.
A ideia, descrita pela empresa como algo “mais imersivo, visual e centrado em vídeo”, representa uma inversão de prioridades: em vez de o feed de texto e fotos dos amigos vir primeiro, é o vídeo que passa a ocupar o centro da experiência. A boa notícia para quem gosta do formato tradicional é que a mudança será opcional e reversível — a Meta afirma que o feed clássico continuará disponível para quem preferir.

O pacote de novidades não para na interface. A Meta também vai testar um selo de verificação gratuito, que atesta a autenticidade do perfil por meio de uma selfie e da adesão às regras de “confiança e segurança” da plataforma — uma alternativa ao selo pago cobrado hoje. Há ainda um aplicativo dedicado a vendedores do Marketplace, com criação de anúncios assistida por inteligência artificial, mensagens unificadas, gestão de catálogo e relatórios de desempenho, inicialmente restrito aos Estados Unidos e a maiores de 18 anos.

Por trás do movimento está uma disputa de atenção que a Meta não pode ignorar. Apesar de o Facebook seguir como a rede social mais usada do mundo, ele enfrenta a concorrência crescente de TikTok e YouTube justamente no consumo de vídeo curto, formato que domina o tempo de tela das gerações mais novas. Os testes devem começar até o fim de 2026 em países com alto consumo de vídeo — o Brasil, tradicionalmente um dos maiores mercados da plataforma, tende a estar no radar — antes de chegar aos Estados Unidos. Resta saber se o público que ainda usa o Facebook para se conectar com amigos e grupos vai abraçar um app cada vez mais parecido com uma vitrine de vídeos.