Uma campanha de golpe que já durava mais de dois anos acaba de ser exposta: a empresa de cibersegurança Socket, com análise complementar da DomainTools, identificou 19 extensões maliciosas distribuídas para Chrome e Edge que roubavam credenciais e esvaziavam carteiras de criptomoedas. A operação está ativa desde fevereiro de 2024 e foi reportada no dia 27 de agosto de 2026.
O detalhe mais preocupante é o método. Das 19 extensões, quatorze foram criadas pelos próprios golpistas — mas cinco foram compradas de desenvolvedores que já mantinham extensões legítimas, com base de usuários instalada e avaliações reais. É o mesmo padrão que vem se repetindo em ataques de cadeia de suprimentos: em vez de convencer alguém a instalar algo suspeito, compra-se um software que a pessoa já usa e confia, e o código malicioso entra em uma atualização de rotina. A maior das extensões envolvidas, a “Enable Right Click & Copy — Smart Unlock + OCR”, originalmente publicada sob o nome PreppHint, acumulava cerca de 80 mil instalações.

Por trás delas havia uma estrutura completa: mais de 100 sites falsos foram criados para dar sustentação ao golpe, incluindo páginas que imitavam telas de verificação de carteira e avisos de atualização do navegador para induzir a vítima a digitar a frase de recuperação ou colar comandos no terminal. O Google já removeu os itens da Chrome Web Store, mas uma das versões permanecia no catálogo do Microsoft Edge com mais de 10 mil usuários — ou seja, o problema não terminou com a divulgação.

Para o leitor brasileiro, o recado prático vale mesmo para quem não tem um satoshi na carteira: extensão de navegador enxerga tudo o que você faz nas páginas em que tem permissão, incluindo internet banking e e-mail corporativo. Vale abrir a lista de extensões dos dois navegadores agora, desinstalar o que não é usado há meses, desconfiar de qualquer utilitário que peça permissão para “ler e alterar dados em todos os sites” e nunca digitar frase de recuperação em uma página aberta pelo navegador. Quem guarda cripto em volume relevante deveria migrar para uma carteira de hardware, em que a chave nunca passa pelo computador.
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