Enquanto Meta e Snap apostam em óculos inteligentes cheios de câmeras, uma startup fundada por ex-engenheiros da Apple decidiu seguir o caminho oposto — e o mercado gostou. A Even Realities acaba de atingir o status de “unicórnio”, com valor de US$ 1 bilhão, após uma rodada de investimentos de US$ 150 milhões liderada por Meituan e Tencent. O trunfo da empresa é justamente o que ela não coloca em seus óculos: câmeras.
A proposta é transformar privacidade em argumento de venda. Segundo os criadores, os óculos “abrem mão completamente de câmeras para focar em uma experiência de visualização direta”, eliminando o desconforto de vigilância que cerca modelos concorrentes. No lugar das lentes que filmam tudo ao redor, o destaque fica para um display discreto (HUD) que projeta informações diretamente no campo de visão, sem chamar atenção de quem está por perto.

A tecnologia por trás disso tem nome: Even HAO (Holistic Adaptive Optics), que integra microchip, guia de ondas e suporte a lentes de grau em um único design. O ecossistema ainda inclui o anel inteligente Even R1, com controle por gestos e toques, e o Conversate, um copiloto de IA que ouve conversas em tempo real, explica termos técnicos e gera resumos sincronizados com o smartphone. Tudo com dados criptografados, sem armazenamento de áudio e seguindo normas europeias de privacidade.
Os números mostram que a aposta faz sentido: a empresa já ultrapassou 10 mil unidades vendidas e cresceu de 30 a 40 funcionários em 2024 para 300 a 400 hoje, com foco em Estados Unidos, Japão, Coreia do Sul e Europa. Os óculos básicos saem por cerca de US$ 599, e a versão com lentes de grau e anel chega a US$ 1.000. Por enquanto não há venda oficial no Brasil, mas o mercado de óculos inteligentes já cresce por aqui e é um bom termômetro do que vem por aí.
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