A Epic Games Store entrou no ar no iPhone brasileiro em 31 de julho de 2026, com Fortnite e Rocket League Sideswipe disponíveis desde o primeiro dia. O que era para ser uma comemoração virou, em entrevista a jornalistas brasileiros, uma nova rodada de acusações. Tim Sweeney, CEO da Epic, resumiu sua avaliação sobre as condições impostas pela Apple em uma frase curta: “Isso é ridículo, isso precisa parar”.
O alvo específico é a taxa de 21% que a Apple cobra sobre a distribuição de aplicativos feita por lojas de terceiros no iOS. Sweeney compara esse percentual ao de outros mercados de distribuição digital, que segundo ele ficam na casa dos 3%, para argumentar que a abertura obtida na esfera regulatória não se traduziu em concorrência real. É uma crítica que a Epic vem fazendo desde a Europa: a loja alternativa passa a existir, mas sob um pedágio que corrói justamente a vantagem econômica que justificaria sua existência.

O segundo ponto é o atrito de instalação. No Brasil, são necessários nove passos para colocar a loja da Epic no iPhone; na União Europeia, são seis. A Epic sustenta que essa diferença não é detalhe burocrático, e usa um número da própria experiência europeia para provar: quando a Apple encurtou o fluxo por lá de 15 para 6 etapas, a desistência no meio do caminho caiu 60%. Se cada etapa a mais derruba a conversão, um fluxo longo funciona como barreira comercial disfarçada de proteção ao usuário.

Vale lembrar de onde essa história começou. Em 2020, a Epic adicionou um sistema de pagamento direto dentro do Fortnite, contornando a cobrança da App Store; a Apple respondeu removendo o jogo da loja e encerrando a conta de desenvolvedor da empresa. Seis anos e várias decisões judiciais depois, o Fortnite voltou ao iPhone — mas por uma porta lateral construída a partir do acordo com o CADE, o órgão antitruste brasileiro, e não por uma mudança espontânea da Apple.
Para quem joga no Brasil, o efeito prático já é palpável: dá para instalar Fortnite no iPhone sem passar pela App Store, e a expectativa é que outras lojas sigam o mesmo caminho. O que ainda não está claro é se essa abertura vai chegar ao bolso do jogador. Enquanto os 21% permanecerem sobre a mesa, a economia que a concorrência deveria gerar tende a ficar retida no meio do caminho — e o consumidor continua pagando o mesmo por V-Bucks, só que em outro aplicativo.
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Quem quiser testar a loja da Epic precisa de um iPhone com iOS atualizado; no Android, a instalação sempre foi direta pelo site da empresa.