O sonho do carro voador deixou de ser ficção científica e ganhou uma data mais concreta com selo brasileiro. A Eve Air Mobility, braço de mobilidade aérea urbana criado pela Embraer, atualizou seu cronograma e agora trabalha com 2028 como meta para certificar seu eVTOL — a aeronave elétrica de pouso e decolagem verticais que pretende transportar passageiros por cima do trânsito das grandes cidades.
A nova projeção vem na esteira de um marco importante: o protótipo em escala real já acumula dezenas de voos de teste. Esses experimentos iniciais focaram em decolagens verticais e em validar a estabilidade da aeronave, e a próxima etapa crítica são os chamados voos de transição — o momento em que o aparelho deixa de subir como um drone e passa a se deslocar para a frente como um avião, previstos para o fim de 2026. É nessa fase que a engenharia da Eve precisa provar que o conceito funciona de ponta a ponta.

Por trás dos testes há também uma corrida financeira. A Eve recebeu um aporte na casa das centenas de milhões para sustentar as operações nos próximos anos e planeja fabricar uma frota de protótipos “conformes” — versões que seguem exatamente o padrão de produção — para conduzir a campanha de certificação ao lado da Anac, a agência reguladora brasileira. Vale lembrar que o cronograma já sofreu ajustes: a empresa chegou a mirar a entrada em serviço em 2027, prazo que foi empurrado para frente conforme os testes avançaram.
Para o Brasil, o projeto tem um peso simbólico e econômico relevante. Significa colocar a Embraer, uma das maiores fabricantes de aviões do mundo, na linha de frente de uma indústria totalmente nova, disputando espaço com startups americanas e europeias bilionárias. Se a meta de 2028 se confirmar, o país pode ajudar a definir como será a aviação urbana elétrica das próximas décadas — com táxis aéreos silenciosos saindo de heliportos adaptados em capitais brasileiras. Por enquanto, porém, cada novo voo de teste é mais um passo de validação rumo a um objetivo ainda ambicioso.