O Discord vai trocar a base do seu aplicativo. Stanislav Vishnevskiy, cofundador e diretor de tecnologia da empresa, publicou no X nesta quarta-feira (4) que o cliente inteiro está sendo reescrito em Rust, abandonando o Electron no computador e o React Native no celular. Ainda não há data: segundo ele, a ideia é colocar a versão nova em teste com usuários “em breve”.
O que muda por baixo
Hoje o Discord para Windows, macOS e Linux roda sobre o Electron, que empacota um motor de navegador inteiro dentro do app. É isso que permite usar o mesmo código em todos os sistemas. É também o motivo do peso: cada instância carrega uma estrutura web completa, com o custo de memória e processamento que vem junto. Rust é compilado direto para código de máquina e dispensa esse intermediário.
No celular, a mudança é outra. A interface continua nativa, mas a lógica do aplicativo passa a ser compartilhada com a versão de desktop por meio do Rust. Na prática, um recurso novo seria escrito uma vez para as duas frentes, o que pode reduzir a diferença de funções que hoje existe entre o app do PC e o do telefone.
Vishnevskiy também respondeu a quem apostou no Tauri, framework popular para apps leves em Rust. A escolha foi o GPUI, biblioteca de interface acelerada por GPU criada pela equipe do editor de código Zed. A empresa usa Rust desde 2018 em boa parte da infraestrutura, na tecnologia de voz e em trechos do cliente atual, então migrar o aplicativo completo era o passo que faltava.
290 MB contra mais de 500 MB
Junto com a publicação, o executivo mostrou uma captura do Gerenciador de Tarefas com o cliente experimental usando 290 MB de RAM. O app atual passa com facilidade dos 500 MB, mesmo minimizado em segundo plano. A comparação tem limite: é uma imagem só, sem condições de teste conhecidas, e uma versão experimental costuma ter menos funções ativas do que a final.
Mesmo assim, o número interessa a quem joga em PC com 8 GB ou 16 GB de memória, configuração comum no Brasil. O Discord fica aberto o tempo todo ao lado do jogo, e cada centena de megabytes que ele devolve ao sistema sobra para o game e para o navegador. Em notebook, menos trabalho em segundo plano tende a render mais bateria, embora a empresa não tenha divulgado nenhuma medição sobre isso.
O Discord está longe de ser o único programa criticado pelo consumo de memória; o WhatsApp para desktop é outro exemplo frequente. A diferença é que aqui a empresa decidiu trocar a fundação inteira em vez de otimizar a camada existente. É a aposta mais cara e mais demorada, e também a única que resolve o problema na raiz.
Reescrever um cliente desse tamanho costuma passar por testes fechados e depois públicos antes de substituir a versão estável. Até lá, o aplicativo distribuído hoje segue em Electron, e o Discord não informou prazo para nenhuma das etapas.
