O Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS) anunciou na segunda-feira (19) que nenhuma agência federal pode mais usar a DeepSeek, startup de inteligência artificial com sede em Hangzhou, na China. O veto vale para sistemas já instalados e para compras futuras. Também alcança produtos de outras empresas que rodam sobre os modelos chineses. Órgãos que quiserem manter algum uso precisam pedir exceção, caso a caso.
O que o DHS alega
O argumento central é o destino dos dados. Na avaliação do departamento, as informações coletadas pela DeepSeek podem acabar com o governo chinês, inclusive dados sensíveis de cidadãos americanos e de programas federais. O comunicado também cita falhas de segurança e diz que pesquisas independentes, feitas com ferramentas de código aberto, teriam encontrado malware no aplicativo do chatbot para iPhone. O DHS não detalhou publicamente quais pesquisas são essas nem o que o código malicioso faria.
Um cerco que vinha crescendo
A decisão fecha uma sequência de bloqueios parciais. Primeiro, o Departamento de Comércio e outros órgãos baniram o app dos aparelhos funcionais. Em dezembro de 2025, uma lei aprovada no governo Donald Trump suspendeu o uso da ferramenta pelas agências de inteligência. Agora a regra passa a valer para o governo federal inteiro. Fora dos EUA, a empresa enfrenta barreiras em vários mercados desde o ano passado.
Há ainda uma disputa comercial correndo em paralelo. Em 2026, OpenAI e Anthropic acusaram a DeepSeek de usar destilação, técnica em que um modelo é treinado a partir das respostas de outro, para melhorar os próprios sistemas com base nos produtos das americanas. A chinesa ficou famosa justamente por entregar modelos competitivos gastando bem menos.
O que muda para quem está no Brasil
Para o usuário comum, a medida não tem efeito: ela só vale para a administração federal americana. O impacto real recai sobre empresas brasileiras que vendem software ou serviços ao governo dos EUA, ou a fornecedores dele. Como o veto inclui produtos de terceiros, quem integrou modelos da DeepSeek em alguma solução vai precisar trocar o motor ou pedir exceção. Já a acusação de malware no app de iOS segue sem comprovação pública. Se você lida com dados sensíveis, rodar a versão aberta do modelo localmente evita mandar informações para servidores na China.
A resposta de Pequim
A reação chinesa veio pela porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Mao Ning. Em entrevista coletiva, ela negou que a DeepSeek represente ameaça e acusou Washington de esticar a noção de segurança nacional para politizar temas de tecnologia e comércio. Mao afirmou que o governo chinês vai defender os interesses das empresas do país, sem anunciar nenhuma retaliação concreta.
