
A DeepSeek, startup chinesa que virou sinônimo de inteligência artificial barata, está prestes a fechar a primeira rodada de investimento externo de sua história. Segundo informações do mercado, a empresa deve captar cerca de 50 bilhões de yuans — algo próximo de US$ 7,4 bilhões (mais de R$ 37 bilhões na conversão direta) — em uma operação que multiplica por seis o valor estimado da companhia em apenas dois meses.
Com o novo aporte, a DeepSeek passa a ser avaliada em torno de US$ 60 bilhões. O movimento reúne um time de peso do capital chinês: a Tencent entraria com 10 bilhões de yuans, a fabricante de baterias CATL com 5 bilhões, e nomes como NetEase e JD.com com 3 bilhões cada. Fundos de Hong Kong, como IDG Capital e Monolith, completam a lista. Curiosamente, boa parte do dinheiro — cerca de 40% — viria da fortuna pessoal do fundador e CEO, Liang Wenfeng, o que dá à operação um tom de aposta interna.
O contexto torna o número ainda mais impressionante. A DeepSeek cresceu apesar das sanções comerciais dos Estados Unidos, que restringem a venda de chips de ponta para empresas chinesas. Mesmo assim, a companhia se firmou como uma das principais alternativas às plataformas ocidentais, ganhando fama no início de 2025 justamente por treinar seus modelos gastando uma fração do que rivais como OpenAI e Google investem. Recentemente, a empresa ainda cortou em 75% o preço dos tokens do modelo V4 Pro, reforçando a estratégia de ser a opção mais econômica enquanto concorrentes encarecem o acesso.
Para o leitor brasileiro, a notícia importa porque a guerra de preços na IA tende a chegar até nós. Quanto mais robusta e bem financiada for a DeepSeek, maior a pressão para que assistentes, chatbots e ferramentas de produtividade fiquem mais acessíveis — inclusive nos aplicativos e serviços que usamos no dia a dia. O avanço de uma gigante chinesa também esquenta a disputa geopolítica em torno de quem vai liderar a próxima década da tecnologia.