A CXMT, principal fabricante chinesa de memória DRAM, entrou na Justiça americana contra o Departamento de Defesa dos EUA. A ação, protocolada na última sexta-feira (28) no Tribunal Distrital dos EUA para o Distrito de Columbia, pede a retirada do nome da empresa da lista de companhias consideradas ligadas ao exército chinês.

O detalhe que dá contorno de novela ao caso está no que aconteceu antes do processo. A CXMT foi incluída na lista em janeiro de 2025, ainda no governo Biden, e permaneceu nela sob a administração Trump. Por mais de um ano a empresa entregou dados ao Pentágono tentando comprovar que não tem vínculo militar. Em determinado momento, o departamento chegou a publicar um aviso confirmando a remoção — e retirou o comunicado do ar no mesmo dia. Procurado, o Pentágono afirmou que não comenta litígios em andamento.

A empresa sustenta que não é afiliada aos militares chineses e que produz chips para “uso civil e comercial”. O timing ajuda a entender a urgência: a receita da CXMT saltou 874% no primeiro semestre de 2026, e a companhia se tornou a mais valiosa da China no setor após abrir capital nos últimos meses. Continuar marcada como risco de segurança nacional trava contratos, financiamento e a relação com fornecedores e investidores americanos — um custo alto demais para quem acabou de virar gigante.
Para quem monta PC no Brasil, essa disputa jurídica é mais relevante do que parece. O mercado de DRAM foi por décadas um oligopólio de Samsung, SK Hynix e Micron, e a chegada da CXMT como quarta força é justamente o que pode aliviar a escassez de memória que empurrou o preço de kits de RAM DDR5 e de SSDs para cima ao longo deste ano. Se a empresa destravar acesso a clientes e capital ocidentais, mais oferta entra no sistema. Se continuar isolada, a conta segue sendo paga por quem está do outro lado do balcão — inclusive no varejo daqui, onde o repasse costuma chegar rápido na subida e devagar na descida.
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