A corrida da inteligência artificial ganhou um capítulo inesperado: a SpaceX, de Elon Musk, negocia comprar a Cursor — uma das startups de IA para programação mais quentes do momento — por cerca de US$ 60 bilhões. O valor coloca a empresa, antes conhecida apenas pelos desenvolvedores, no centro do tabuleiro da indústria de tecnologia.
Fundada em 2022 como Anysphere, a Cursor criou um editor de código que usa IA para acelerar a escrita de software e automatizar tarefas repetitivas. O crescimento foi vertiginoso: de 40 mil clientes em 2024 para US$ 1 bilhão em receita anual em 2025, atendendo hoje cerca de 60% das empresas da Fortune 500 com pouco mais de 700 funcionários. À frente de tudo está Michael Truell, de apenas 25 anos, formado pelo MIT — uma figura conhecida pela discrição e pela obsessão com produto, que aos 15 anos já havia cocriado um jogo educativo de programação.

O acordo traz uma cláusula que chama atenção: se qualquer das partes desistir, a SpaceX pagará uma multa de US$ 1,5 bilhão e ainda fornecerá US$ 8,5 bilhões em capacidade de computação à Cursor. A lógica por trás disso revela a real motivação. A Cursor dependia fortemente dos modelos da Anthropic (criadora do Claude) e ficou em situação delicada quando a empresa lançou o Claude Code, uma ferramenta concorrente direta. Unir-se à SpaceX daria à startup acesso ao supercomputador Colossus, com centenas de milhares de chips Nvidia, e a infraestrutura necessária para desenvolver seus próprios modelos — a família Composer.
Para o mercado, o movimento é simbólico em duas frentes. Mostra como a infraestrutura de computação se tornou o ativo mais disputado da era da IA, capaz de definir quem sobrevive e quem some, e reforça a estratégia de Musk de costurar suas empresas — SpaceX, xAI e agora, possivelmente, Cursor — em um único ecossistema. Por enquanto, trata-se de uma negociação: nada foi assinado, e os valores podem mudar até a conclusão do acordo.