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Crise dos chips pode encolher o mercado de celulares intermediários em até 22%

A escalada nos preços dos chips de memória, puxada pela corrida das empresas por infraestrutura de inteligência artificial, começa a cobrar seu preço no bolso do consumidor — e o alvo mais exposto é justamente a faixa de celulares mais popular no Brasil. Um estudo da consultoria Omdia projeta que o mercado global de smartphones pode encolher até 12% em 2026, com um segmento específico levando a pior: os aparelhos intermediários.

Os números ajudam a dimensionar o estrago. Segundo a análise, os celulares vendidos por menos de US$ 400 — algo na casa dos R$ 2 mil por aqui — podem ter uma queda de vendas de até 22% ao longo do ano. Enquanto isso, os modelos acima desse valor devem seguir na direção oposta e crescer cerca de 5,7%. A explicação está na estrutura de custos: nos intermediários, os chips de memória podem representar até 60% do valor de fabricação, uma fatia que não deixa margem para absorver aumentos sem repassá-los ao preço final.

Câmeras de um smartphone intermediário da Samsung

Fabricantes como Samsung, Xiaomi, Oppo, Vivo e Honor, que disputam palmo a palmo esse território, já estudam saídas para não perder rentabilidade. Entre as estratégias citadas estão o rebaixamento de outros componentes — telas mais simples e módulos de radiofrequência menos sofisticados — e a renegociação de contratos de fornecimento para tentar segurar as margens. Na prática, isso pode significar aparelhos com preços parecidos, mas fichas técnicas menos generosas do que as das gerações anteriores.

Para o comprador brasileiro, o recado é direto: o intermediário sempre foi o coração do mercado nacional, e é exatamente ele que deve sentir mais o aperto. Nomes como o Samsung Galaxy A36 e o Xiaomi Redmi Note 15 Pro são o tipo de aparelho no centro dessa tempestade. Quem já planejava trocar de celular na faixa dos R$ 1.500 a R$ 2.000 pode encontrar um cenário melhor comprando agora do que esperando as próximas levas, quando a pressão de custo tende a se traduzir em preço mais alto ou em cortes discretos de especificação.



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