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Coreia do Sul vai investir US$ 880 bilhões em IA e chips

A disputa global por inteligência artificial ganhou um novo gigante disposto a gastar pesado. A Coreia do Sul anunciou um plano de cerca de US$ 880 bilhões voltado a IA e semicondutores — um valor que equivale a aproximadamente 5% do PIB do país em 2024. O pacote combina recursos do governo e investimentos de algumas das maiores empresas de tecnologia do mundo, num esforço para colocar o país na linha de frente da corrida, ao lado de Estados Unidos e China.

O plano tem dois pilares principais. O primeiro envolve a construção de quatro novas fábricas de semicondutores pela Samsung e pela SK Hynix na região sudoeste do país, com investimento previsto de 800 trilhões de wons. As duas empresas já dominam boa parte do mercado mundial de memória — justamente o componente cujo preço disparou com a explosão da IA —, e ampliar a capacidade de produção é uma forma de consolidar essa liderança. O segundo pilar é tocado pela Naver, conhecida como o “Google da Coreia do Sul”, que liderará um projeto de 550 trilhões de wons para erguer 8,4 gigawatts de capacidade em data centers de IA até 2029.

A motivação por trás dos números é quase existencial. O presidente Lee Jae Myung resumiu o clima ao afirmar que o país entra “em uma era em que a página vira num piscar de olhos, e a velocidade é a única maneira de sobreviver”. A fala traduz uma ansiedade comum a várias economias avançadas: ficar para trás na infraestrutura de IA agora pode significar dependência tecnológica por décadas. Para uma nação cuja prosperidade foi construída sobre eletrônicos e chips, o recado é claro — não dá para assistir à revolução de fora.

Para o Brasil e o resto do mundo, anúncios desse porte ajudam a explicar o cenário de preços e disponibilidade dos eletrônicos. Quando os maiores fabricantes de memória concentram investimentos bilionários em fábricas e data centers de IA, a cadeia inteira sente — de SSDs e pentes de RAM até o preço final de celulares e computadores. A corrida da inteligência artificial, antes restrita a laboratórios e softwares, virou também uma disputa por concreto, energia e silício em escala nacional.



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