A Anthropic, empresa responsável pela IA Claude, vai começar a exigir verificação de identidade de parte de seus usuários. A nova política entra em vigor em 8 de julho de 2026 e, segundo a companhia, atinge apenas um “pequeno subconjunto” de contas: aquelas que apresentaram atividade suspeita, mas que ainda não foram banidas. Na prática, a imensa maioria de quem usa o assistente não deve notar diferença — mas os usuários sinalizados poderão ter de provar quem são para continuar com acesso liberado.
A comprovação não será trivial. De acordo com a empresa, os usuários marcados poderão precisar enviar documentos oficiais — como carteira de motorista ou passaporte —, além de selfies ou vídeos. Todo o processo será conduzido pela plataforma Persona, especializada em verificação de identidade. O objetivo declarado é combater fraudes e abusos da ferramenta e, ao mesmo tempo, atender a exigências legais que vêm surgindo em diversos países, como a checagem de idade mínima para uso de serviços online.
O porta-voz Michael Aciman reforçou que a mudança mira contas já sinalizadas, e não uma suspensão dos modelos mais avançados para o público geral. Quem for suspenso por engano poderá recorrer e reativar a conta caso comprove que não houve atividade fraudulenta. Ainda assim, a novidade acende um sinal de alerta: a Anthropic não detalhou por quanto tempo esses dados sensíveis ficarão armazenados, quem terá acesso a eles nem quais protocolos de segurança serão aplicados — pontos críticos quando se fala em documentos e biometria.
A discussão é especialmente relevante para o usuário brasileiro, já que ferramentas de IA como o Claude se popularizam rapidamente por aqui, inclusive no trabalho e nos estudos. O movimento ilustra um dilema cada vez mais comum no setor: como equilibrar o combate a fraudes e a pressão regulatória com a privacidade de quem usa esses serviços. Para muita gente, entregar documento e selfie a uma plataforma de IA é um preço alto — e a forma como a Anthropic vai tratar essas informações tende a virar referência (ou alvo de críticas) para o restante da indústria nos próximos meses.
