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China pousa foguete reutilizável em navio no mar e desafia a SpaceX

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China pousa foguete reutilizável em navio no mar e desafia a SpaceX

O domínio quase absoluto da SpaceX sobre os foguetes reutilizáveis acaba de ganhar um rival de peso. O programa espacial da China anunciou ter lançado um foguete orbital da linha Long March e recuperado o propulsor em um navio no mar, tornando-se a segunda nação do planeta a executar com sucesso essa manobra — uma das mais difíceis e caras de dominar em toda a engenharia aeroespacial. Até aqui, apenas a empresa de Elon Musk havia repetido o feito de forma consistente.

O detalhe mais curioso está no método. Em vez de fazer o foguete descer sobre pés de apoio mecânicos, como acontece nos pousos do Falcon 9, os chineses optaram por uma abordagem diferente: uma grande rede estendida sobre uma estrutura no convés do navio, que “abraça” o propulsor em queda. A captura exigiu sensores de altíssima precisão e sistemas de orientação complexos para acertar o alvo em movimento no meio do oceano — margem de erro praticamente zero, já que qualquer desvio significaria perder o equipamento no mar.

Mais do que uma proeza técnica, o marco tem peso estratégico e econômico. Reaproveitar o estágio mais caro de um foguete é o que barateou drasticamente os lançamentos da SpaceX e permitiu o ritmo acelerado de missões dos últimos anos. Com um propulsor capaz de carregar quase a mesma carga útil do Falcon 9, a China sinaliza que pretende disputar de igual para igual esse mercado — que envolve desde constelações de satélites de internet até missões científicas e militares.

Para o observador brasileiro, a notícia é um lembrete de como a nova corrida espacial deixou de ser assunto de dois ou três países. A promessa chinesa de relançar o mesmo propulsor até o fim de 2026 será o teste decisivo: reutilizar de fato, e não apenas recuperar, é o que separa uma demonstração de uma operação madura. Se a meta se confirmar, o custo de colocar satélites em órbita tende a cair ainda mais nos próximos anos — e a concorrência global só tem a ganhar com isso.



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