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Histórico do Computador do ChatGPT para Mac registra o que você digita e acende alerta de privacidade

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Histórico do Computador do ChatGPT para Mac registra o que você digita e acende alerta de privacidade

Um recurso novo do ChatGPT para macOS virou alvo de pesquisadores de segurança. Chamado Histórico do Computador, ele registra o que o usuário digita, clica e vê na tela para que o assistente entenda o contexto do trabalho e execute tarefas mais longas por conta própria. O problema apontado é onde esse material vai parar: os resumos gerados ficam gravados no disco em texto simples, sem criptografia própria.

A OpenAI confirmou o funcionamento em comunicado e fez questão de frisar que a função é opcional: nos planos Pro, Business e Enterprise, ela vem desligada de fábrica no app de Mac. Para funcionar, ele precisa ser ligado manualmente e depende também do recurso de memórias.

Como o registro é feito

O app usa as permissões de acessibilidade do macOS — as mesmas que leitores de tela usam — para acompanhar títulos de janelas, campos de texto e botões acionados. Esse fluxo bruto fica no Mac por até 48 horas, dentro de um contêiner que a OpenAI diz ser protegido. Depois, a IA transforma o registro em resumos, que são salvos na pasta de memórias do sistema e podem ser puxados para as conversas.

O volume chama a atenção. O perito digital Renzon ativou o recurso num MacBook e contou cerca de 3.616 eventos em duas horas de trabalho comum, incluindo trechos de conversas no Slack, WhatsApp e Telegram, segundo relato publicado no X.

Onde está o risco

Como os resumos finais estão em arquivos de texto comuns, qualquer programa que rode com a conta do usuário consegue lê-los — inclusive um malware do tipo infostealer, especializado em varrer o computador atrás de senhas e documentos. Para esse tipo de ameaça, um diário condensado de e-mails, mensagens e arquivos abertos é um atalho valioso. O mesmo vale para quem divide o computador: com acesso físico à conta, dá para ler tudo.

A OpenAI lista limites: janelas de navegação privada ficam de fora, o microfone não é gravado, senhas mascaradas não são capturadas, e as conversas usadas para gerar os resumos não ficam nos servidores nem treinam modelos, salvo exigência legal. Também é possível criar listas de exclusão para apps e sites — e é o primeiro passo recomendado para quem decidir ativar a função, bloqueando mensageiros, bancos e sistemas financeiros.

Especialistas da Kaspersky vão além e sugerem que profissionais com dever de sigilo, como médicos e advogados, simplesmente não liguem o recurso. É a mesma discussão que a Microsoft enfrentou com o Recall no Windows: quanto mais o assistente enxerga do seu computador, mais útil ele fica — e maior é o estrago se esse registro cair nas mãos erradas.



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