O celular barato está ficando cada vez mais difícil de fabricar — e, segundo a consultoria Counterpoint Research, vai ficar mais raro nas lojas. Uma projeção divulgada nesta semana estima que os envios de smartphones abaixo de US$ 200 (cerca de R$ 1.000) caiam 40% até 2030: de 570 milhões de unidades em 2025 para 340 milhões por ano no fim da década. São 230 milhões de aparelhos a menos na faixa de entrada.

Custo sobe de um lado, exigência sobe do outro
A conta não fecha por dois motivos que se somam. O primeiro é o preço das peças: processadores, módulos de memória RAM e armazenamento estão mais caros, em parte porque a indústria de chips vem priorizando memória para servidores de inteligência artificial. O segundo é o piso técnico: sistemas e aplicativos novos, especialmente os recursos de IA, exigem cada vez mais RAM e processamento, e um aparelho muito simples deixa de rodar bem o que o usuário espera.
Com custo maior e preço de venda limitado, a margem dos fabricantes nessa faixa encolhe até o ponto em que não compensa produzir em grande volume. O mesmo gráfico mostra o movimento contrário no andar de cima: os aparelhos de US$ 200 para cima devem passar de 685 milhões para 861 milhões de unidades no período. Ou seja, o mercado não encolhe — ele sobe de preço.
O que muda para quem compra no Brasil
O efeito já aparece por aqui. As vendas de celulares caíram 11% no Brasil no primeiro semestre, e modelos de entrada chegam às lojas com preços que antes eram de intermediário. A própria Counterpoint alerta para o risco social: sem aparelhos novos e baratos, fica mais difícil para quem ainda não tem smartphone entrar na internet.
Na prática, o comprador terá duas saídas: gastar um pouco mais num intermediário — segmento que deve ganhar mais memória e telas melhores com essa migração — ou esticar a vida útil do celular atual. Modelos como o Galaxy A56 e o Moto G Max mostram onde está o custo-benefício hoje.
Opções de custo-benefício:
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