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Casa Branca lança Arcade: site com 5 jogos retrô que promovem políticas de Trump

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Casa Branca lança Arcade: site com 5 jogos retrô que promovem políticas de Trump

A Casa Branca entrou no mundo dos games. O site oficial do governo dos Estados Unidos ganhou uma seção chamada Arcade, com cinco jogos de navegador em gráficos de 8 bits que transformam bandeiras políticas de Donald Trump em fases jogáveis. O lançamento foi divulgado nas redes sociais da presidência em 3 de setembro e, em poucas horas, virou alvo de críticas de entidades de direitos humanos.

Os cinco jogos

Cada título copia a mecânica de um clássico e a veste com uma pauta do governo:

  • Rio Run reproduz o Snake. O jogador controla uma versão pixelada de Tom Homan, o “czar da fronteira” de Trump, perseguindo migrantes numa área que representa o Rio Grande. Um contador de “deportados” marca a pontuação.
  • Build the Wall é um Tetris em que as peças empilhadas formam o muro na fronteira com o México.
  • Supply Line adapta o Tapper, jogo de bar dos anos 1980: em vez de servir chope, o jogador separa alimentos numa esteira e descarta os que não seguem o programa “Make America Healthy Again”.
  • Flappy Bill troca o pássaro do Flappy Bird por uma águia-careca que carrega um projeto de lei pelo National Mall desviando de obstáculos.
  • Trump Savings Tycoon é um jogo de apanhar notas que despencam da tela; o saldo vai para as “Contas Trump” das crianças, o programa de poupança infantil criado pelo governo.

Tela do Arcade com os cinco jogos disponíveis no site whitehouse.gov

Marketing com paródia de consoles

A divulgação apostou na linguagem da indústria de games. A conta oficial da Casa Branca no X publicou animações que imitam as telas de abertura de Xbox, PlayStation e Nintendo, e uma das peças recria o logotipo clássico da Sega com a palavra “MAGA”, sigla do slogan “Make America Great Again”. Outro post convidava os seguidores a compartilhar suas pontuações máximas. Nenhuma das fabricantes tem envolvimento com o projeto.

Questionado pela agência AFP, o governo respondeu que busca novas formas de divulgar as conquistas do presidente e quer que essa mensagem alcance todos os americanos, sem comentar as críticas.

A reação

A crítica mais dura veio de quem trabalha na fronteira. Amerika Garcia Grewal, codiretora da Federação Frontera, disse que os jogos a deixaram “enjoada” e que o governo, depois de anos “brincando com a vida das pessoas”, agora “transformou isso em um videogame”. Para ela, os responsáveis “perderam o contato com o que significa ser humano”.

O lançamento acontece enquanto o governo Trump intensifica prisões e deportações de imigrantes sem documentos, o que dá ao Rio Run, em particular, um peso que vai além da brincadeira retrô. Para o brasileiro, o episódio mostra como a estética dos games virou ferramenta de comunicação política, no mesmo momento em que a indústria discute o aumento de preço de consoles e a distância entre o jogo como cultura e o jogo como propaganda.

Quem prefere os clássicos originais, sem pauta embutida, encontra Snake, Tetris e afins em portáteis retrô baratos.

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