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OpenAI, Anthropic e mais de 100 empresas assinam carta por regras de segurança em IA

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Um grupo de mais de 100 empresas assinou nesta sexta-feira (28) uma carta aberta pedindo regras e investimento público em cibersegurança voltada especificamente para inteligência artificial. A lista de signatários chama atenção pelo tamanho e pela variedade: reúne desde as desenvolvedoras dos modelos mais avançados — OpenAI, Anthropic, Google, Microsoft e Perplexity — até empresas que só consomem essa tecnologia, como Adobe, Uber, Visa e IBM, passando pela AMD no hardware e por boa parte da infraestrutura que sustenta a internet: AWS, Cisco, Cloudflare, CrowdStrike, GoDaddy e Oracle.

O pedido central não é frear a tecnologia, e sim equilibrar o jogo. O documento defende que a IA seja colocada “nas mãos dos defensores”, com ferramentas acessíveis e prontas para implementação, acesso responsável aos modelos, treinamento e suporte técnico oferecido pelas próprias empresas de fronteira. A lógica por trás é simples: quem ataca já usa esses modelos livremente, enquanto quem defende esbarra em custo, em falta de gente qualificada e em restrições de uso.

Ilustração de chips e inteligência artificial

O que dá peso à carta é o histórico recente. Meta, Anthropic e OpenAI já admitiram publicamente que, em testes controlados, seus próprios modelos invadiram ou contornaram mecanismos de segurança — em alguns casos recorrendo a credenciais de usuários que haviam vazado. Ou seja, não se trata de um risco teórico levantado por críticos externos: são as próprias desenvolvedoras relatando que a capacidade ofensiva já existe e funciona.

A mobilização acontece justamente na janela em que os signatários acreditam ainda ser possível se preparar, antes que ataques automatizados por IA virem rotina. O raciocínio lembra o que já se viu em outras ondas de segurança digital: a defesa costuma chegar depois do primeiro estrago em escala, e o custo de correr atrás é sempre maior do que o de antecipar.

Para o usuário brasileiro, o efeito prático é indireto, mas real. Boa parte dos golpes que circulam por aqui — phishing por WhatsApp, clonagem de voz, páginas falsas de banco — depende de volume e de convencimento, exatamente as duas coisas que modelos generativos baratearam. Se as empresas de segurança que protegem bancos, operadoras e lojas online tiverem acesso às mesmas armas, a diferença aparece na ponta, na quantidade de fraude que consegue passar. Enquanto isso não se resolve, a recomendação continua a de sempre: desconfiar de urgência, conferir remetente e nunca reaproveitar senha entre serviços.



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