Mais um estúdio tradicional entra na onda de cortes que tem marcado a indústria de games. A Bungie, responsável por franquias como Destiny e pelo recente Marathon, confirmou uma nova rodada de demissões que atinge uma parcela significativa de seu quadro de funcionários — especialmente as equipes ligadas ao universo de Destiny.
O estopim, segundo o próprio estúdio, foi o encerramento do ciclo de conteúdo ativo de Destiny 2, que chegou ao fim em junho de 2026. Com o jogo entrando em uma fase de manutenção e sem novas expansões em produção, boa parte dos times que sustentavam o título ficou sem projeto definido. A situação se agravou com o desempenho abaixo do esperado de Marathon, o aguardado retorno da Bungie ao gênero de tiro extração, que não conseguiu firmar uma base de jogadores sólida após o lançamento. Outras iniciativas internas ainda estão em estágio de incubação, sem aprovação para entrar em produção plena.
Por trás da decisão está a Sony, que comprou a Bungie em 2022 por cerca de US$ 3,6 bilhões apostando na expertise do estúdio com jogos como serviço. O movimento, porém, não rendeu o esperado: a empresa registrou recentemente uma perda contábil de US$ 765 milhões ligada a ativos da Bungie. O CEO da PlayStation Studios, Hermen Hulst, classificou os cortes como uma medida “difícil e dolorosa”, reconhecendo o impacto humano por trás dos números.
Para o jogador brasileiro, a notícia tem um sabor amargo familiar. A indústria global de games vive uma sequência preocupante de demissões em massa, que já atingiu gigantes de todos os portes nos últimos anos. Mesmo estúdios consagrados e com o respaldo financeiro de uma Sony não estão imunes à pressão por resultados imediatos — um sinal de que o modelo de jogos como serviço, que prometia receita contínua, cobra um preço alto quando um lançamento não decola. Resta torcer para que o futuro de Destiny e Marathon não seja comprometido pela reestruturação.

A reestruturação da Bungie acende mais um alerta sobre a saúde do setor. Em um momento em que orçamentos de produção explodem e o público se torna cada vez mais seletivo, até as marcas mais queridas pelos fãs precisam provar resultados rápidos — ou correm o risco de ver suas equipes desmontadas antes mesmo de colher o que plantaram.