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Brasil e União Europeia assinam acordo digital para reduzir dependência dos EUA

Brasil e União Europeia assinam acordo de cooperação digital

Brasil e União Europeia formalizaram nesta sexta-feira (12), em Brasília, uma parceria digital que coloca os dois lados para cooperar em algumas das áreas mais sensíveis da tecnologia atual. O acordo, assinado com a presença do vice-presidente Geraldo Alckmin e da vice-presidente executiva da Comissão Europeia para Soberania Tecnológica, Henna Virkkunen, tem um pano de fundo claro: reduzir a dependência de tecnologias e plataformas controladas por empresas dos Estados Unidos.

Na prática, o documento estabelece linhas de cooperação em inteligência artificial — tanto na inovação quanto na regulação —, computação de alto desempenho, plataformas online, conectividade, infraestrutura e governança de dados. São exatamente os pilares que vão definir quem detém poder no ambiente digital da próxima década, e o recado europeu, reforçado durante o Web Summit Rio na véspera, é o de “soberania tecnológica”: construir capacidade própria em vez de depender de um único polo fornecedor.

O gesto também tem peso simbólico. O Brasil passa a ser o quinto país a assinar um acordo digital nesse modelo com a UE, juntando-se a Japão, Coreia do Sul, Canadá e Cingapura — um clube de economias que vêm buscando diversificar suas alianças tecnológicas. Em um cenário de disputa intensa entre Estados Unidos e China pelo controle de chips, modelos de IA e infraestrutura de nuvem, aproximar-se do bloco europeu é uma forma de o país ganhar margem de manobra e não ficar refém de um só lado da equação.

Para o usuário brasileiro, os efeitos não aparecem da noite para o dia, mas a direção importa. Acordos como esse tendem a influenciar desde a forma como a inteligência artificial é regulada por aqui até as regras de proteção e circulação de dados pessoais — temas que afetam diretamente quem usa redes sociais, serviços de nuvem e ferramentas de IA no dia a dia. É o tipo de movimento de bastidor que, com o tempo, ajuda a moldar quais tecnologias chegam ao mercado nacional e sob quais condições.



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