Nenhum país grande baixa dados pelo 5G tão rápido quanto o Brasil, e o posto já é repetido. É a terceira vez seguida que isso acontece no 5G Global Mobile Network Experience Awards, o relatório anual da Opensignal, publicado na terça-feira (29). A empresa mede a experiência real de quem usa o celular, a partir de testes coletados nos próprios aparelhos, e não em condições de laboratório.
O dado mais chamativo é que o pódio inteiro é brasileiro. A Vivo ficou com o título de líder global na categoria, com média de 324,3 Mbps. A Claro aparece em segundo, com 319 Mbps, e a TIM em terceiro, com 308,1 Mbps. Completam o top 5 a Ooredoo, da Argélia, e a 2degrees, da Nova Zelândia. As medições consideram o período de 1º de janeiro a 29 de junho de 2026.

Por que o Brasil vai tão bem nesse quesito
A explicação passa pelo leilão de 2021. As operadoras brasileiras compraram blocos largos na faixa de 3,5 GHz, e o 5G daqui nasceu no padrão standalone, com núcleo de rede próprio, em vez de ser apenas uma camada sobre o 4G. Com mais espectro por operadora e redes ainda relativamente pouco congestionadas, o pico de velocidade fica alto. É o mesmo motivo que coloca o país acima de mercados muito mais ricos, como Estados Unidos e Europa, nesse item específico.
Vale ler o ranking com cuidado, porém. Velocidade de download não é o mesmo que cobertura. Nas outras categorias do prêmio o Brasil não aparece no topo: a T-Mobile, dos EUA, venceu em experiência de cobertura 5G e também no indicador novo deste ano, o tempo conectado ao 5G, que mede por quanto tempo o usuário de fato fica na rede de quinta geração (79,7% no caso dela). A alemã Telekom levou jogos, a japonesa au ficou com confiabilidade e apps de voz, e a finlandesa Elisa venceu em vídeo. Entre os países menores, a sul-coreana SK Telecom marcou a maior média de download de todo o levantamento, 495,1 Mbps.
O que isso significa para quem usa
Para o consumidor, o resultado confirma que, onde o sinal 5G chega, ele é rápido de verdade: baixar um jogo, subir vídeos longos ou usar o celular como roteador rende bem nas capitais. O desafio continua sendo levar a rede para fora dos grandes centros e manter o aparelho no 5G por mais tempo, algo em que o país ainda perde para os vizinhos do ranking. A própria Vivo vem expandindo o 5G+ com núcleo standalone para mais cidades, e é esse tipo de avanço que deve pesar nas próximas edições do prêmio.
