O Bluetooth Special Interest Group (SIG), entidade que mantém e licencia o padrão, adotou oficialmente o Bluetooth High Data Throughput, ou HDT, como recurso opcional da especificação Bluetooth Core 7.0. A mudança principal está na taxa máxima de transferência do Bluetooth Low Energy (LE), que passa de 2 Mbps para 7,5 Mbps. O salto é de 3,75 vezes.
O que muda na prática
Com mais banda disponível, o Bluetooth LE ganha espaço para transmitir áudio em resolução mais alta. Segundo o SIG, o HDT também deixa a conexão mais confiável e melhora a duração da bateria dos aparelhos ligados por ela. Ainda não há números de quanto a autonomia de um fone ou relógio aumentaria. O SIG afirma que os efeitos vão além dos fones sem fio, já que o Bluetooth LE também liga relógios, pulseiras, controles, sensores e acessórios de casa conectada.
De onde vem o limite de 2 Mbps
O teto atual existe desde o Bluetooth 5, de 2016, que criou o modo de 2 Mbps para o LE. Depois, o Bluetooth 5.2 trouxe o LE Audio, com o codec LC3, que é a base do Auracast, a transmissão de um mesmo áudio para vários fones ao mesmo tempo. Com 2 Mbps, o LE Audio sempre trabalhou com folga pequena. Por isso, codecs de alta resolução populares em fones Android, como o LDAC da Sony, continuam no Bluetooth Clássico, que chega a 3 Mbps e gasta mais energia. O HDT coloca o LE acima desse patamar.
Opcional e dependente de hardware
O detalhe que pesa para quem compra é a palavra “opcional”. Nenhum fabricante precisa implementar o HDT para dizer que segue a versão 7.0, como já acontece com outros recursos opcionais do padrão. Para o recurso funcionar, celular e fone precisam ter suporte dos dois lados. Mudanças desse tipo, na parte de rádio, costumam exigir chips novos e não chegam a aparelhos antigos por atualização de software.
Para o consumidor brasileiro, a conta é direta. Se você pretende comprar um fone ou um celular agora, não vale segurar a compra por causa do HDT. A especificação acabou de ser aprovada, e a caixa do produto precisa citar o recurso pelo nome, já que “Bluetooth 7.0” sozinho não garante a velocidade maior.
Até agora, o SIG não informou quais fabricantes de chips ou de aparelhos vão adotar o HDT nem quando os primeiros produtos compatíveis chegam às lojas.
