A Binance, maior corretora de criptomoedas do mundo em volume, confirmou na noite de quinta-feira (29) uma invasão que mexeu com cerca de US$ 6,3 bilhões em ativos, algo perto de R$ 34 bilhões. Grandes quantias saíram das hot wallets da empresa, as carteiras conectadas à internet que atendem aos saques do dia a dia, rumo a endereços recém-criados. A plataforma travou depósitos e retiradas enquanto apurava o caso.
Nesta sexta-feira (30), os depósitos voltaram. Os saques, não. A previsão da corretora é liberar as retiradas em aproximadamente 45 horas.

Como os invasores entraram
A apuração preliminar da própria Binance aponta para o notebook de um engenheiro de DevOps, a equipe que cuida da infraestrutura e da implantação de sistemas. Com o aparelho comprometido, o atacante teria alcançado diversos serviços internos e disparado saques sem autorização. A empresa admitiu depois que encontrou outros pontos de violação e classificou a operação como complexa, sem dar detalhes. Uma análise técnica completa ficou prometida para o fim da investigação.
A autoria ainda não tem confirmação oficial. As firmas de análise de blockchain TRM Labs e Chainalysis enxergam semelhanças com ações do TraderTraitor, grupo ligado à Coreia do Norte e associado a outros roubos grandes de cripto. Por ora, é uma hipótese baseada em padrão de comportamento.

Quanto já foi bloqueado
Os números mudaram ao longo da noite. Por volta das 20h30 de Brasília, a Binance dizia ter US$ 2,54 bilhões congelados e pedia para ignorar a cifra de US$ 1,8 bilhão que circulava nas redes. Na manhã seguinte, o total bloqueado on-chain, em parceria com autoridades, chegava a US$ 3 bilhões.
Boa parte veio das emissoras de stablecoins. Paolo Ardoino, CEO da Tether, informou o bloqueio de US$ 1,567 bilhão em USDT ligados ao incidente. Jeremy Allaire, CEO da Circle, falou em US$ 800 milhões em USDC travados junto com a polícia. Changpeng Zhao, fundador da corretora, que hoje é só acionista, agradeceu publicamente às duas no X.
O que acontece com o dinheiro dos clientes
A corretora diz que nenhum cliente vai arcar com o prejuízo. O dinheiro sai do SAFU, fundo de emergência criado para esse tipo de situação, e do caixa da empresa. Segundo a Binance, já existem US$ 6,34 bilhões separados, dos quais US$ 5 bilhões estão guardados exatamente nos tokens que foram levados. O restante está sendo comprado no mercado e em mesas de balcão (OTC), etapa que pode atrasar por causa da pouca liquidez de alguns tokens. Até agora, não há relato de contas individuais invadidas.
Se o valor se confirmar como perda, o caso passa com folga o roubo de cerca de US$ 1,5 bilhão sofrido pela Bybit em 2025, o maior registrado até então. O Bitcoin caiu nas horas seguintes, e o BNB, token da própria Binance, teve queda mais forte.
Para quem tem saldo na corretora no Brasil, a regra prática é não mexer em nada fora do aplicativo e do site oficiais. Golpistas já costumam aproveitar incidentes assim com mensagens que prometem antecipar saques ou recuperar valores em troca de senha ou código de autenticação. A Binance não pede esses dados por WhatsApp, e-mail ou rede social. A janela de 45 horas para a volta dos saques conta a partir da atualização desta sexta-feira (30).
