Três dos maiores nomes do mercado financeiro americano, JPMorgan Chase, Morgan Stanley e Charles Schwab, estariam impedindo que agentes de inteligência artificial criados por outras empresas acessem as contas de seus clientes. A informação foi publicada pelo portal Axios e repercutida pela agência Reuters. Segundo a apuração, os bancos reagiram a relatos de robôs operando dentro do internet banking e fazendo movimentações sem que uma pessoa confirmasse cada passo.
O Morgan Stanley contesta parte da história. À Reuters, o banco disse não ter identificado nenhum caso de agente de IA não autorizado ou fora de controle em suas plataformas. Ou seja, a restrição existe, mas o episódio que teria motivado o bloqueio ainda não foi confirmado pela instituição.
Como o agente entra na conta
A porta de entrada é o próprio cliente. Para delegar tarefas do dia a dia, como pagar contas ou conferir saldo, o usuário entrega login e senha do banco ao assistente, que passa a navegar no site como se fosse ele. O problema é que os termos de uso dessas instituições exigem que o acesso seja feito por um ser humano. Mesmo com consentimento do titular, a prática quebra o contrato, e o banco perde a capacidade de saber quem, de fato, está do outro lado da tela.
Richard Wurster, presidente executivo da Charles Schwab, contou à Reuters que recebe diariamente um relatório com o número de bloqueios aplicados a diferentes agentes. Segundo ele, a quantidade é baixa, porque pouca gente usa IA dessa forma nas finanças. A justificativa da corretora é manter o controle sobre a autenticação e sobre a experiência do cliente.
Por que isso interessa a quem usa banco no Brasil
Agentes que operam navegador e preenchem formulários sozinhos já estão disponíveis para usuários brasileiros, e a tentação de pedir para um deles pagar um boleto ou agendar um Pix é óbvia. O risco é o mesmo descrito nos EUA: quem entrega a senha a um serviço de terceiros fica sem proteção contratual se algo der errado, e qualquer falha ou vazamento nesse serviço expõe a conta inteira.
O Brasil tem um caminho oficial para compartilhar dados bancários com outras empresas, o Open Finance, que funciona por autorização dentro do app do banco, sem repassar senha. Na nossa avaliação, é por ali que a automação financeira com IA deveria chegar por aqui, e não por agentes que imitam o cliente digitando credenciais.
Executivos ouvidos pelo Axios admitem que a procura por automação vai crescer e que os bancos terão de criar uma forma segura de conviver com esses agentes. Por ora, a orientação repetida por porta-vozes do Chase é direta: não informar usuário e senha bancários a nenhum aplicativo ou agente de terceiros.
