A Amazon Web Services (AWS) reconheceu oficialmente algo raro na história da computação em nuvem: parte dos dados de clientes hospedados em seus data centers no Bahrein e nos Emirados Árabes Unidos foi perdida em caráter permanente. O comunicado saiu na terça-feira (15), no painel de status da empresa, seis meses depois da primeira onda de ataques com drones iranianos contra as instalações.
A AWS diz ter feito uma avaliação detalhada antes de concluir que tudo o que ficava guardado apenas na zona de disponibilidade mec1-az2, nos Emirados, está fora de alcance: nem os recursos nem os dados voltam. As outras duas zonas da região, mec1-az1 e mec1-az3, também foram danificadas e seguem em recuperação. No Bahrein, região me-south-1, a situação é ainda pior: os danos atingiram várias zonas ao mesmo tempo, além do limite para o qual a redundância regional da AWS foi desenhada, como a própria empresa admite.
Como os ataques aconteceram
As instalações viraram alvo em meio à guerra que opõe Irã de um lado e Estados Unidos e Israel do outro. O primeiro ataque aconteceu em 1º de março, quando drones acertaram diretamente duas instalações nos Emirados e uma unidade no Bahrein foi afetada por detritos de uma explosão próxima. Uma segunda onda, em 1º de abril, mirou as estruturas do Bahrein, e os ataques se estenderam até julho.
Desde então a AWS tinha suspendido a cobrança dos clientes das duas regiões e, segundo o Ars Technica, concedeu US$ 150 milhões (cerca de R$ 773 milhões) em créditos aos afetados. A empresa diz que está substituindo a infraestrutura danificada, que notificou as autoridades e que dará uma nova atualização sobre a restauração dos serviços nos próximos meses.
O limite da redundância
A arquitetura da AWS foi desenhada para sobreviver à falha de um data center: cada região tem várias zonas de disponibilidade, cada uma com um ou mais prédios, e o cliente que distribui a aplicação entre elas continua no ar se uma cair. O que não estava na conta era a destruição física simultânea de várias zonas da mesma região, cenário que só uma cópia em outra região, ou fora da nuvem, resolve.
De acordo com a empresa, a maior parte dos clientes conseguiu voltar a operar migrando para outras regiões a partir dos backups que mantinham por conta própria, e também pôde copiar os dados não afetados durante a interrupção. Quem perdeu tudo foi quem hospedava recursos apenas nas instalações atingidas, sem réplica.
O recado para empresas brasileiras
O episódio é um lembrete de que “está na nuvem” não é sinônimo de “está seguro”. A responsabilidade pela cópia de segurança continua sendo de quem contrata o serviço, e a redundância dentro de uma única região tem limite. Para pequenas empresas e profissionais autônomos, o princípio é o mesmo em escala menor: manter ao menos um backup local dos arquivos críticos, além do que fica no serviço em nuvem, é a diferença entre um susto e uma perda definitiva.
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