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CEO da AWS chama de erro trocar jovens por IA e alerta para futuro das empresas

Em meio à onda de empresas que cortam vagas alegando ganhos de produtividade com inteligência artificial, o chefe da maior nuvem do mundo resolveu nadar contra a corrente. Matt Garman, CEO da Amazon Web Services (AWS), classificou como “uma das coisas mais estúpidas” que já ouviu a ideia de substituir profissionais em início de carreira por IA — e fez um alerta direto: as companhias que seguirem esse caminho vão se arrepender.

O raciocínio de Garman é simples e mira o longo prazo. Para ele, abandonar a contratação de talentos juniores compromete a formação da próxima geração de líderes e especialistas — exatamente as pessoas que, daqui a alguns anos, deveriam estar conduzindo projetos e tomando decisões. Sem essa base, argumenta o executivo, as empresas terão dificuldade em sustentar o próprio crescimento. Ele comparou a transformação atual à chegada do Excel: a ferramenta mudou a natureza de inúmeros trabalhos, mas não os extinguiu. “Metade dos empregos de escritório pode mudar, mas mudança e extinção são coisas diferentes”, resumiu.

A fala entra num debate que esquentou de vez no último ano. Nomes de peso como Dario Amodei, da Anthropic, já alertaram para o risco de a IA varrer postos de entrada, e executivos de outras indústrias chegaram a projetar o desaparecimento de metade das funções administrativas. Estudos acadêmicos, como um da Universidade Stanford, apontaram impacto concreto sobre jovens de 22 a 25 anos em áreas como desenvolvimento de software e atendimento. Por outro lado, economistas ponderam que parte da dificuldade dos recém-formados tem mais a ver com o cenário macroeconômico do que com robôs ocupando suas cadeiras.

O discurso de Garman ganha peso justamente por vir de quem comanda uma das operações que mais vende ferramentas de IA no planeta. E ele faz questão de praticar o que prega: segundo a Amazon, a empresa tem hoje mais desenvolvedores do que há dois anos, mesmo com a automação avançando, e planeja contratar cerca de 11 mil estagiários e recém-formados em 2026. Para o trabalhador brasileiro — em especial quem está começando na área de tecnologia e teme ser “substituído por um modelo” —, é um recado relevante de dentro do epicentro da revolução da IA: o futuro pode exigir novas habilidades, mas continuar dependendo de gente nova entrando no mercado.



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