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Ataque hacker a freezers de supermercados se espalha pela Europa e atinge banco de sangue francês

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Ataque hacker a freezers de supermercados se espalha pela Europa e atinge banco de sangue francês

Os ataques contra sistemas de refrigeração comercial deixaram de ser um problema francês. Na madrugada de domingo, 1º de novembro, lojas na Bélgica, em Luxemburgo, na Suécia e na Espanha registraram panes súbitas nos freezers. A Ahold Delhaize confirmou falhas em unidades, e dezenas de varejistas divulgaram comunicados dizendo que apuram as variações de temperatura e ampliaram o monitoramento para não vender alimento comprometido.

A sequência começou em meados de setembro. Cerca de 700 supermercados da França tiveram os controles de temperatura invadidos, segundo a ANSSI, a agência francesa de cibersegurança. Entre os equipamentos atingidos estavam controladores Danfoss, Copeland e Dixell. Os invasores reprogramaram a lógica de resfriamento e fizeram o interior dos freezers subir até 50°C.

O episódio mais grave envolveu sangue. A Coolworld, empresa que fornece refrigeração ao Etablissement Français du Sang (EFS), teve o software de monitoramento remoto invadido entre domingo e segunda. Câmaras frias com plasma e amostras na região de Bourgogne-Franche-Comté chegaram a marcar até 130°C acima do patamar correto. Um técnico de plantão percebeu a anomalia e removeu o material antes de qualquer perda.

Como a invasão funciona

A porta de entrada mais comum são painéis de controle acessíveis pela internet, sem proteção ou com senha fácil de adivinhar. Lá dentro, o atacante reescreve parâmetros de fábrica: desliga compressores, estica os ciclos de degelo ou liga o aquecimento no máximo. O pesquisador de cibersegurança Daniel Cunha Barbosa avalia que o grupo dominava esses modelos específicos e provavelmente praticou em aparelhos iguais antes. Para ele, o erro central das lojas é manter tudo numa rede só, sem segmentação, o que permite saltar do freezer para qualquer outro dispositivo. A saída que ele recomenda é o menor privilégio: entre uma rede e outra, só passa o tráfego indispensável.

Quem está por trás

Até agora não apareceu pedido de resgate. Ensar Seker, diretor de segurança da informação da SOCRadar, diz que isso, somado à coordenação entre países, ainda não autoriza culpar um governo. Grupos ideológicos e imitadores entram na mesma lista de suspeitos, e motivação financeira também segue possível. Na leitura de Seker, a cadeia de frio atrai criminosos porque o prejuízo é físico e rápido: mudar um ajuste basta para estragar o estoque em horas, sem extrair um único dado. Ele defende correções aplicadas em etapas e propõe um critério simples para avaliar as redes: conseguir detectar, isolar e reverter a manipulação antes que a comida fique imprópria.

E a geladeira de casa?

O risco para o consumidor comum é menor. Pesquisadores da ANSSI e analistas da Europol consideram improvável uma ofensiva destrutiva contra eletrodomésticos residenciais, já que o interesse dos atacantes está em alvos comerciais grandes, que geram dano imediato e são fáceis de localizar quando o painel fica aberto na rede. Quem tem restaurante, padaria ou mercado e acompanha câmaras frias por aplicativo deveria trocar a senha padrão e separar esses aparelhos do Wi-Fi de clientes hoje mesmo.

As redes europeias afetadas continuam investigando a origem das falhas, e nenhum grupo teve a autoria confirmada pelas autoridades.



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