Um ataque cibernético detectado em 4 de agosto de 2026 comprometeu os sistemas de tecnologia de três portos americanos operados pelo estado da Carolina do Norte, forçando o fechamento dos portões de acesso e atrasando as operações por horas. Os alvos foram o Porto de Wilmington, o Porto de Morehead City e o Porto Interior de Charlotte — infraestrutura crítica para o comércio exterior do leste dos Estados Unidos.

Segundo as informações divulgadas pela Autoridade Portuária da Carolina do Norte, os sistemas de controle de acesso foram os mais prejudicados. Na manhã de 5 de agosto, os portões de entrada só puderam ser abertos às 8h, enquanto as equipes de TI iniciavam os procedimentos de contenção e recuperação. O Porto de Wilmington, o maior dos três, movimenta aproximadamente 5.000 contêineres por semana somente pelos seus portões de acesso — o que dimensiona o impacto potencial de qualquer interrupção, mesmo que por poucas horas.
As operações foram retomadas nos dias seguintes, mas a autoridade portuária emitiu um alerta para parceiros comerciais e transportadoras, pedindo que se preparassem para possíveis lentidões enquanto os sistemas continuavam sendo restaurados. Esse tipo de aviso pós-incidente é comum em ataques à infraestrutura crítica: mesmo com os sistemas funcionando novamente, vulnerabilidades remanescentes ou sobrecarga nas verificações de segurança podem criar gargalos operacionais por dias.
O caso se insere em uma tendência preocupante de ataques a portos e terminais logísticos ao redor do mundo. Instalações desse tipo são alvos atrativos por combinarem alto valor estratégico, dependência de sistemas legados (muitas vezes desatualizados) e o impacto imediato que qualquer paralisação causa nas cadeias de suprimento. Um ataque a um porto movimentado não afeta apenas o local — em setores como automotivo, farmacêutico e alimentício, atrasos de horas já podem gerar efeitos em cascata em diferentes países.
Até o momento da publicação, nenhum grupo havia reivindicado a autoria do ataque e não foi confirmado se houve vazamento de dados. As investigações envolvem o Departamento de Transportes da Carolina do Norte (NCDOT), o Departamento de Tecnologia da Informação do estado (NCDIT) e a Guarda Costeira dos EUA — sinal de que a preocupação vai além do dano operacional imediato e inclui a possibilidade de comprometimento de dados sensíveis de carga e de acesso a sistemas de controle.