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Bit2Watt: ataque inédito pode destruir data centers de IA sem malware

A corrida global por inteligência artificial ergueu, nos últimos anos, uma nova geração de data centers com centenas de milhares de GPUs rodando lado a lado. Agora, pesquisadores mostram que essa concentração de poder de processamento pode ser transformada em arma contra a própria infraestrutura — e sem uma única linha de código malicioso. A técnica foi batizada de Bit2Watt e descrita em um artigo divulgado por acadêmicos da Universidade de Zhejiang, na China.

O que torna o Bit2Watt tão incomum é justamente a ausência dos ingredientes clássicos de um ciberataque. Não há malware, phishing nem vírus. Em vez de invadir os sistemas, o agente malicioso apenas aluga espaço legítimo em um data center — algo que qualquer cliente de nuvem pode fazer — e executa cargas de trabalho cuidadosamente orquestradas. O truque está em fazer o processamento das GPUs ligar e desligar milhares de vezes por segundo, criando um padrão de consumo que a rede elétrica não foi projetada para absorver.

Data center de inteligência artificial com fileiras de servidores

Segundo o estudo, essa oscilação sincronizada produz um efeito de amortecimento negativo na rede — ou seja, em vez de estabilizar as variações de tensão, o sistema as amplifica. As consequências descritas vão do superaquecimento e destruição física de componentes ao desarme de disjuntores e ao comprometimento de linhas de transmissão. Em cenários simulados sobre a malha elétrica europeia, os pesquisadores chegaram ao colapso de mais de mil linhas de transmissão, um efeito em cascata que extrapola em muito os limites do próprio data center.

Para o leitor brasileiro, o alerta não é abstrato. O país tem atraído investimentos bilionários em data centers voltados à IA, muitos deles conectados a redes que já convivem com geração solar distribuída e inversores eletrônicos — exatamente o tipo de ambiente que o artigo aponta como mais vulnerável a esse tipo de perturbação. O Bit2Watt ainda é uma demonstração acadêmica, sem casos reais conhecidos, mas serve de aviso: à medida que a IA consome cada vez mais energia, a segurança elétrica passa a ser tão crítica quanto a segurança digital. Proteger o data center do futuro pode depender menos de firewalls e mais de monitorar, em tempo real, cada oscilação de watt.



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