O desenvolvedor Brandon Thomas, que diz ter 15 anos de carreira em software, publicou no começo de outubro uma coleção de 13 programas gratuitos e de código aberto que imitam ferramentas pagas da Adobe, da Microsoft e do Figma. A suíte se chama ArtCraft, foi escrita em Rust e teve boa parte do código gerada com o Claude Opus 5.5, modelo da Anthropic. O anúncio saiu primeiro no Reddit, pela conta u/ai_art_is_art, e circulou rápido entre programadores e designers.
O pacote começou pelos apps criativos. O substituto do Photoshop se chama PhotoCraft, e o do Premiere, FilmCraft. Também há versões para Lightroom, Illustrator, After Effects, InDesign e Acrobat Pro. Poucos dias depois vieram os equivalentes de Word, Excel e PowerPoint, rebatizados de WordCraft, GridCraft e DeckCraft, e em seguida o FigCraft, inspirado no Figma. A lista ainda inclui imitações do AutoCAD e do Avid Pro Tools.

Como os clones foram feitos
Thomas afirma que não invadiu sistemas nem teve acesso ao código-fonte de nenhuma das empresas. O método usado é a reimplementação em sala limpa: a equipe observa o programa original por fora, anota como ele se comporta e escreve um software novo do zero a partir dessas anotações. A técnica é antiga. Antes, exigia muita gente ou muito tempo. Agora, agentes de IA escrevem, testam e revisam o código enquanto uma pessoa orienta o trabalho. Thomas não divulgou quantos tokens consumiu nem quanto gastou em cada aplicativo.
Longe de trocar o original
A promessa inicial era chegar a 100% de equivalência com os apps da Adobe em um mês. Thomas recuou e passou a falar em vários meses. Uma avaliação interna publicada em 10 de outubro estima que o PhotoCraft tem cerca de 45% da maturidade necessária para substituir o Photoshop em uso profissional. Testes feitos pela imprensa especializada encontraram falhas ao abrir arquivos HEIC, ao selecionar objetos e ao salvar no PhotoCraft; no FilmCraft, os problemas apareceram na edição de clipes e na reprodução de áudio. Em fóruns de desenvolvedores, quem testou relata travamentos mais frequentes do que nos programas originais.

O projeto ganhou tração por causa da Adobe. A Creative Cloud é vendida só por assinatura, e a empresa já foi processada sob acusação de esconder multas de cancelamento e dificultar o fim do contrato. Parte do público tratou o ArtCraft como protesto contra esse modelo. Outra parte chamou os apps de “AI slop”, expressão usada para conteúdo gerado por IA de baixa qualidade.
Para quem precisa entregar trabalho hoje, a escolha é simples: GIMP, Krita, LibreOffice e DaVinci Resolve são gratuitos e muito mais estáveis, mesmo com interfaces diferentes das da Adobe e da Microsoft. O ArtCraft vale como teste para quem quer ver até onde um modelo de IA consegue chegar reproduzindo software comercial complexo, não como ferramenta de produção.
O nome ArtCraft já existia em maio de 2025, quando designava uma ferramenta de criação de imagens com IA, segundo registros do Internet Archive. Os 13 programas estão disponíveis de graça, com código aberto, e Thomas não fixou nova data para atingir a equivalência completa com os originais.
