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Deepfake: mais de 400 apps disfarçados escondiam gerador de nudez na App Store e na Google Play

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Deepfake: mais de 400 apps disfarçados escondiam gerador de nudez na App Store e na Google Play

Editor de fotos de pets, curso de idiomas, app de treino. Era assim que mais de 400 aplicativos e sites apareciam na App Store e na Google Play, mas parte deles liberava, depois de instalada, uma ferramenta de IA para gerar imagens falsas de pessoas nuas. A rede foi revelada por uma investigação da revista americana Wired publicada na terça-feira (3).

Como o disfarce funciona

O truque fica fora do celular. Quando o app abre, ele consulta um servidor controlado pelos desenvolvedores, e é esse servidor que decide qual tela o usuário vai ver: a do editor inofensivo ou a do gerador de deepfake. Os pesquisadores não encontraram uma regra fixa para essa escolha. Como a equipe de revisão da loja enxerga só a versão comportada, o aplicativo é aprovado sem levantar suspeita.

Uma das portas de entrada eram anúncios na Meta com imagens pornográficas falsas. Quem clicava ia direto para o download e já recebia a versão com o recurso explícito. A mesma rede comprava espaço publicitário na plataforma para promover os programas.

Quem está por trás

A Wired ligou os apps a desenvolvedores da China e à KeLing Technology Limited, empresa registrada em Hong Kong. Depois de ser contatada pela reportagem, a companhia teria tirado do ar as referências que a associavam aos aplicativos.

O caso repete um padrão conhecido. No começo de 2026, outro levantamento já tinha localizado 38 apps de nudez por IA nas duas lojas. Juntos, eles passavam de 483 milhões de instalações e tinham faturado US$ 122 milhões. A escala de agora, com mais de 400 apps e sites, é mais de dez vezes maior em número de programas.

Por que isso pesa para quem está no Brasil

As lojas são as mesmas usadas aqui, e a vítima não precisa ter instalado nada. Basta uma foto publicada em rede social para alguém produzir a montagem. No Brasil, criar ou divulgar montagem que coloque uma pessoa em cena íntima sem consentimento é crime previsto no artigo 216-B do Código Penal. O problema é que a punição chega depois do estrago, e a barreira que deveria vir antes, a revisão das lojas, falhou.

A defesa da Apple mostra onde está o furo. A empresa disse à Wired que os aplicativos seguiam as regras no momento da aprovação e que os desenvolvedores trocaram depois o conteúdo dos sites de onde os apps puxavam material, colocando pornografia no lugar. A Apple também atribuiu a divulgação a anúncios explícitos em plataformas de terceiros. Na prática, admite que a revisão olha o app no dia do envio e não acompanha o que muda no servidor depois. Enquanto esse controle for feito uma vez só, esse tipo de app vai continuar voltando.

Apple e Google já removeram boa parte dos aplicativos apontados na investigação. O Google não havia comentado o caso até a publicação da reportagem.



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