A Apple está promovendo uma reestruturação interna que afetará mais de 200 funcionários em três frentes: o headset imersivo Vision Pro, a assistente pessoal Siri e o grupo Intelligent Systems Experience. A companhia confirmou parcialmente a informação, afirmando que está “realinhando” suas equipes para “acelerar o desenvolvimento” e “entregar melhores experiências” — sem revelar o número exato de demitidos.
“Embora estejamos criando novas funções como parte dessa mudança, ela também afetará um número limitado de cargos existentes. Agradecemos a esses membros da equipe por suas contribuições e estamos comprometidos em apoiá-los na transição, inclusive com oportunidades de se candidatar a outras vagas na Apple”, diz o comunicado oficial.
Segundo o relato, as divisões do Vision Pro e da Siri concentram cerca de 100 demissões cada — as que mais pesam na conta total. O Intelligent Systems Experience também será enxugado, mas em menor escala.
Vision Pro perde fôlego dentro da Apple
O headset imersivo nunca encontrou o público que a Apple esperava. Com preço de entrada elevado e uma proposta que ainda não se traduziu em uso cotidiano, o aparelho foi ficando cada vez mais à margem das prioridades da empresa. Agora, a equipe responsável por games para visionOS foi encerrada completamente, e o time de produção de vídeos imersivos continuará existindo, mas em capacidade reduzida.
O movimento reforça uma percepção crescente: o Apple Vision Pro pode estar caminhando para um ciclo de vida mais curto do que o esperado, ou pelo menos para uma fase de hibernação enquanto a empresa trabalha em uma versão mais acessível do produto.
Siri em transição: da versão legada para a IA generativa
No caso da Siri, as demissões têm uma lógica diferente. O corte não é um abandono da assistente, mas uma mudança de plataforma: a Apple está apostando em uma nova arquitetura de IA generativa que exige um conjunto de habilidades técnicas distinto do que sustentava a Siri atual. Profissionais que mantinham o suporte à versão legada perdem espaço para equipes focadas nessa nova camada.
É a resposta da Apple à pressão competitiva exercida por rivais que já têm assistentes de IA generativa rodando em seus ecossistemas. A corrida por relevância nesse segmento está apenas começando.
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O recado por trás da reestruturação
A mensagem implícita das demissões é clara: a Apple está colocando inteligência artificial generativa acima de tudo na lista de prioridades — inclusive acima do Vision Pro, produto que foi apresentado como o futuro do computing apenas dois anos atrás. Para quem apostou no ecossistema do headset, o movimento é um sinal de alerta sobre o compromisso da empresa com a plataforma no médio prazo.
