A Apple entrou nesta terça-feira (28) em um clube que, até pouco tempo atrás, ninguém imaginava que existiria: o das empresas avaliadas em US$ 5 trilhões. A ação chegou a bater US$ 342,89 durante o pregão, o suficiente para cruzar a marca por alguns instantes, antes de recuar e fechar o dia rondando os US$ 4,99 trilhões. Em reais, a conta passa dos R$ 25 trilhões — algo em torno de duas vezes o PIB brasileiro.
O detalhe que dá dimensão ao número é a velocidade. A companhia levou décadas para chegar ao primeiro trilhão, mas cruzou a barreira dos US$ 4 trilhões há menos de um ano. Antes dela, só a Nvidia havia alcançado os US$ 5 trilhões, embalada pela corrida dos chips de inteligência artificial. A fabricante de GPUs, aliás, foi a empresa mais valiosa do mundo por dois anos seguidos até perder o posto justamente para a Apple.
Por que a ação subiu tanto
Três fatores aparecem com mais força na leitura do mercado. O primeiro é o desempenho comercial da linha iPhone 17, que vendeu acima do previsto e sustentou o principal negócio da empresa em um ano de custos crescentes de memória e componentes. O segundo é a estratégia de inteligência artificial: depois de dois anos de promessas atrasadas, a Apple finalmente colocou de pé um plano concreto para a nova Siri, e investidores compraram a tese.
O terceiro é menos sobre a Apple e mais sobre o resto do mercado. Parte dos investidores que estavam fortemente posicionados em empresas puramente ligadas à IA começou a migrar para companhias com receitas mais diversificadas, por receio de saturação naquele setor. Apple e Microsoft foram destinos naturais desse dinheiro.
O que vem pela frente
O próximo teste é setembro de 2026, quando a empresa deve apresentar a família iPhone 18 — e, segundo o que já circula há meses, o primeiro iPhone dobrável. É o tipo de lançamento que costuma redefinir expectativas de receita para os trimestres seguintes, e qualquer tropeço ali pesa rápido na cotação.
Para o leitor brasileiro, vale separar as coisas: valor de mercado não é lucro nem preço de produto. A Apple valer US$ 5 trilhões diz que o mercado financeiro aposta alto no futuro da empresa, não que o iPhone vai ficar mais barato por aqui. Na prática, quem compra no Brasil segue refém de câmbio, carga tributária e da política de preços regional — que, historicamente, tem andado na direção oposta.
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